Vivenciando o aprendizado

Os antigos diziam: “Quem mais vive, mais vê e mais aprende”. Em outras palavras, quem não vivencia o aprendizado jamais aprende. Vivenciar o aprendizado significa ser proativo no processo de aprendizagem ou participar ativamente do próprio processo.

Muitos odeiam a matemática, física e todas as ciências exatas de modo geral, porque seus mestres/escolas por alguma razão não souberam ou não puderam propiciar essa vivência.

Felizmente, muitas escolas hoje já se preocupam com essa questão, impelidos talvez por este mundo globalizado que suscita a mudança urgente de mentalidade, pois que o antigo concorrente que outrora fora o seu visinho de porta, hoje pode estar do outro lado do mundo a milhares de quilômetros de distancia conseguindo produzir um produto de mesma qualidade ou superior por um preço melhor do que o da gente.

Nas escolas o imediatismo era tão grande que antes do professor terminar de explicar os conceitos, os alunos queriam logo e tão somente as fórmulas, no intuito de decorá-las somente até a data das provas.

Não raramente era fornecido um formulário completo e o fracasso era garantido. Por não possuir os conceitos nem o raciocínio as fórmulas de nada serviam.

Pensando nisso as escolas modernas desenvolveram atividades científicas de forma participativa, lúdica, etc conforme citado abaixo, como um MEIO para alcançar o grande objetivo: CAPACITAÇÃO.

Um dos exemplos dentre muitos outros é o daquele artigo que escrevi há algum tempo “foguete movido a água” que servia para fixar os conceitos de uma das aulas de física. Muitos dos próprios alunos criticaram duramente o projeto que lhes consumia um tempo adicional, dizendo coisas como: “eu vim aqui para aprender engenharia, não para ficar brincando de fazer foguetinhos…”.

Nesse projeto os alunos eram divididos em grupos, concebiam seus próprios projetos, realizavam seus próprios ensaios, colhiam os dados de observações, medições, etc, analisavam, concluíam, confeccionavam seus relatórios que servia como parte da nota. Era marcado um dia para a apresentação onde se reunia toda a escola, cada grupo de alunos com os projetos de sua matéria e então as experiências eram repetidas, dessa vez com público assistindo e o crivo de uma comissão julgadora, alem de serem incentivados por uma torcida. Todos queriam cumprimentar os vencedores de cada modalidade. ERA A MAIOR FESTA.

Como foi dito acima tudo isso era um meio para obter o objetivo da capacitação. Com isso se buscava:

- Desenvolver o espírito de equipe

- Vivenciar o aprendizado. “Participar ativamente no seu processo de aprendizagem.

- Estimular o raciocínio.

- Fixar os conceitos utilizando as fórmulas apenas como meio de representá-los.

- Idealizar e produzir seu próprio aparato de pesquisa (materiais, ferramentas, etc)

- Conceber seus próprios projetos.

- Subtrair a idéia de que para realizar experimentos são necessários vários aparelhos sofisticados e
precisos, conectados a computadores.

- Produzir seus próprios dados (medições, observações, cálculos, gráficos, etc.)

- Eliminar o famigerado vício do “copiar colar”, ficando a internet com propósitos mais nobres como pesquisas, informações, publicações e troca de experiências e conhecimentos.

- Mostrar o lado lúdico do aprendizado, “Aprender brincando”.

- Subtrair a idéia do martírio, de que “O aprendizado passa pela dor”.

- Preparar o aprendiz para apresentar os resultados do seu estudo.

- Mostrar a utilidade do experimento, “para que serve”.

- Estimular a análise crítica do seu estudo (méritos, deméritos, viabilidade técnica e econômica, economia de energia, melhoramentos futuros, etc.).

É claro que os conhecimentos adquiridos, o hábito de produzir seus próprios experimentos, de ensaiar, etc, pode estimular o aparecimento de inventores, de pesquisadores etc.

Mais tarde as pessoas podem participar de projetos mais arrojados, visando economia de energia, preocupação com projetos de desenvolvimento auto-sustentáveis com respeito aos aspectos ambientais, etc.

Com essa capacitação, o mercado de trabalho absorveria um material humano de melhor qualidade e poderia se tornar mais competitivo em termos de qualidade e preço final dos produtos.

robertovasco@hotmail.com

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