Enchendo o vidrinho

Olá, pessoal

Essa história começa num post onde nosso colaborador Roberto Vasco, publica um post : Manual de Bobinagem – Motor Trifásico e na sequência recebe o seguinte comentário :

michel on julho 14th, 2009 at 9:56 am e

mano esquemas de motores, aqueles dados que falam qual é o passo, calculo das espiras, tipo de fio etc vc tem? se voce tem posta, por que essa teoria não ajuda nada, esses calculos nao dão certo, se voce tem os esquemas weg posta os links e nao fica enchendo vidrinho

O mesmo pode ser lido fielmente aqui.

Bem, a atitude do cidadão acima citado, levou o autor do post a escrever o artigo que se segue :

ENCHENDO O VIDRINHO

Tenho observado que o grupo de leitores internautas é bastante heterogêneo em termos de expectativas ( “O vidrinho”, conforme mencionou um leitor) em relação ao que postamos.

Outro dia um deles me contatou via e-mail a respeito de um artigo, solicitando algo mais substancioso, com uma teoria um pouco mais avançada e mais demonstrações com os respectivos calculos mais completos e precisos.

No caso dele era um “um vidrão”, daqueles mais difíceis de encher. Fiquei feliz em ajudá-lo indicando trabalhos acadêmicos “mais pesados”, como teses de mestrado e doutorado de algumas universidades brasileiras e do exterior.

Depois apareceu um, que estava apertado com um serviço, cuja nossa publicação se coadunava com seu interesse naquele momento.

No caso dele era um vidro de bom volume, mas possível de ser enchido com algum empenho.

Acabamos trocando vários e-mails, para captar dados e responder a algumas questões, até que finalmente conseguimos chegar ao ponto desejado. Depois, com satisfação recebi um e-mail informando do sucesso obtido naquele empreendimento.

Também fiquei feliz em ter ajudado, afinal também saio sempre ganhando porque como não sei muitas coisas acabo tendo que pesquisar, estudar, entrevistar especialistas, etc, para poder ajudar.

Mais recentemente, vi outro comentário, alias dito de uma forma nada cortês.

No caso dele, era apenas um vidrinho, que ele fazia questão que não fosse enchido.

Ele se aborreceu com a ínfima teoria e alguns cálculos, minimorum, essenciais para a compreensão do assunto e imprescindíveis para ter acesso ao material informativo oferecido, para adequá-lo ao caso particular de cada leitor, conforme respondi num comentário subseqüente, sem lhe faltar com a cortesia.

Suas principais queixas eram, textualmente: “Essa teoria não ajuda nada” e “Esses cálculos não dão certo”. Queria algo pronto e possivelmente aplicável a cada um de seus casos.

O autor que me desculpe, mas essa idéia é inteiramente falsa. A teoria ajuda a ter conhecimento de causa, saber o que e porque se faz algo.

Quanto aos cálculos a maioria são simplificados e por isso as vezes imprecisos. Não raramente são omitidos algumas variáveis consideradas supérfluas para a maioria dos casos, mas que podem dar grande diferença em outros.

Algumas vezes ainda são regras empíricas baseadas apenas em alguns dados obtidos em ensaios, que possivelmente não valham para todos os casos. Quando “os cálculos não dão certo”, aí mesmo é que a teoria ajuda a saber porque não deram e o que precisa ser considerado para fazer os devidos ajustes.

Não se aborreçam com esses pequenos revezes. Afinal, errar é ótimo para a aprendizagem quando utilizamos o erro didaticamente e ao repará-lo saímos ganhando, porque aprendemos e jamais nos esquecemos.

Todos os grandes cientistas, pesquisadores e inventores erraram muito mais do que acertaram e não desistiram, até conseguirem finalmente o sucesso em seus empreendimentos.

Essa situação atual que me deixa apreensivo.

Nesse mundo de hoje cada vez mais veloz e imediatista, muitos já não tem paciência e não querem mais “encher o vidrinho”, se informar a respeito da teoria relativa a algum assunto, verificar os cálculos e saber a respeito do desenvolvimento desses, enfim, adquirir realmente o conhecimento para aplicá-lo na vida profissional, onde temos um mercado cada vez mais exigente e competitivo.

Preferem algo pronto, onde é só acessar e colar.

Essa idéia, lamentavelmente está no âmbito escolar, onde os alunos se furtam a oportunidade de aprender com os trabalhos escolares passados para estimular seu desenvolvimento, capacidade de pesquisar, experimentar, etc., pois simplesmente estão copiando tudo na internet, muitas vezes, sem ao menos lerem o que copiaram.

Com isso a qualidade dos profissionais que estão chegando ao mercado tende a cair.

Se alguém simplesmente copia, seguramente não aprende. Se apenas lê resumos e não pesquisa mais, corre o risco de ficar com uma cultura de rodapé.

Além disso lá na frente a pessoa pode ficar em dificuldade, porque ao pleitear um emprego, vai ter que demonstrar o que sabe e não que sabe copiar da internet. Mesmo no mundo acadêmico, quando você defende uma tese de mestrado por exemplo, o faz em público, diante de um auditório e uma banca examinadora.

Portanto não adianta só copiar, porque vai ter que demonstrar e responder muitas perguntas sobre o tema.

A internet é uma fonte riquíssima de informações onde se encontram trabalhos importantes de pesquisadores, acadêmicos, profissionais de cada ramo, sites de fabricantes de produtos com as devidas informações técnicas, etc.

Não é que não se possa pegar na internet, copiar e ler resumos. Mas o que se pega deve servir de ponto de partida para estudos maiores, pesquisas e desenvolvimento.

Esse é meu grande objetivo quando publico artigos técnicos no blog.

Roberto Vasco : robertovasco@hotmail.com

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