Fobologia
Nos últimos anos percebi que desenvolvi mais uma de minhas fobias. A primeira vista parece uma inquietação inútil, mas se examinada no contexto histórico da humanidade faz sentido. Meu temor é que num futuro não muito distante ficaremos sem referencias de muitas coisas que foram pesquisadas, escritas, experimentadas ou desenvolvidas por nós por falta de meios seguros de armazenagem que nos permitam recuperar depois.
Essa cultura tecnológica volátil que desenvolvemos ao longo dos últimos anos, essa idéia de marketing de tramar contra o próprio produto tornando-o obsoleto antes que o concorrente o faça, também se refletiu no ramo do conhecimento, a ponto de achar que daqui a alguns anos não serve mais pra nada, que nunca mais ninguém vai usar, que ninguém precisará mais saber nem nunca mais vai pesquisar a respeito.
Primeiro vieram os cartões e fitas perfuradas, cujos dispositivos reprodutores são hoje peças de museu.
Depois vieram aqueles discos enormes e outros tantos, até o último que cheguei a possuir: o diskete de 5 ¼ , que há muito saiu do mercado juntamente com seu drive de reprodução. Hoje ainda temos o de 3 ½ cujos drives de gravação e leitura ainda são encontrados, no entanto os novos PCs não o possuem mais.. Depois vieram os cards, CDs, pen drives e outros que a cada dia são desenvolvidos tornando os meios já existentes obsoletos o que provavelmente os fará desaparecer do mercado. Assim corremos o risco de no futuro ficar com um volume imenso de informações sem ter como recupera-las.
Confesso que senti um certo desconforto na última vez que joguei uma enorme quantidade de papeis fora, porque os tinha em disquetes, CDs e no PC. alem disso, estavam em péssimo estado de conservação, por estarem contaminados com muitas impurezas e pragas.
A História da humanidade mostra muitos acontecimentos que evidenciam a guarda de muitos objetos, documentos e livros, muitos em forma de rolos de papiros que graças a guarda em meios seguros e condições ambientais favoráveis conseguiram chegar até nós. Pena que uma enormidade foi destruída por razões diversas.
As referencias históricas mais antigas chegaram até nós porque foram gravadas em pedras, tijolos de vários materiais, principalmente de barro e outras peças de cerâmica e metais. Outros meios menos resistentes como os papiros e pergaminhos foram conservados graças a tratamentos com produtos químicos conhecidos na época dos egípcios ou acondicionados em talhas de pedra ou cerâmica em locais cujo clima era de baixa umidade relativa do ar, alem de terem sido guardados em locais seguros, geralmente soterrados.
Certamente a maior referencia histórica conhecida até hoje, foi a biblioteca de Alexandria. Essa foi sem dúvida o maior monumento cultural da humanidade. Alem de comportar uma enorme quantidade de livros, foi o que chamamos hoje de uma universidade, onde estiveram reunidos em várias épocas os maiores sábios, de vários ramos da ciência, como Euclides, Eratostenes e muitos outros que contribuíram sobremaneira para os conhecimentos da humanidade. Consta ter sido destruída por incêndios propositais ou acidentais durante várias épocas da história. No Wikipedia encontrei um resumo interessante sobre sua história. Quem quiser pode consultar, entre outras fontes.
Alem disso muitos monumentos como palácios e templos muito antigos, como foram as pirâmides, os palácios e templos de Nínive, Babilônia, os de Salomão , mosteiros medievais e muitos outros que ainda hoje existem seja em forma de bibliotecas, museus, etc.Existem atualmente outros meios mais sofisticados.
Curiosas são as causas que levam a guarda ou a destruição das informações. Sempre se observa que estão permeadas das paixões humanas, se entendidos de uma forma mais holística, como a fé, o respeito aos preceitos religiosos, a preocupação com a posteridade, todos as motivações ideológicas de uma maneira geral. Alem disso muitos sentimentos negativos como a vingança, a ganância, a ignorância a soberba a subjugação do próprio semelhante, a inveja, a intriga, a mentira e muitos outros, como relata abundantemente a história.
Muitos guardaram em seus templos por motivos religiosos vários documentos onde alem de citar cerimônias litúrgicas, tinham preceitos de ética, saúde, convívio social, como é o caso das antigas escrituras que deram origem ao Pentateuco e que aparecem até hoje na bíblia atual. Isso era ao mesmo tempo uma motivação religiosa e civil devido ao sistema teocrático adotado na antiguidade.
Muitos conquistadores, movidos pela ganância inicialmente se apossaram dos objetos de valor em ouro e pedrarias alem de utensílios. Após a pilhagem, decepcionados por constatarem que os maiores tesouros guardados eram escritos em papiros e pergaminhos, destruíam sem ter noção que realmente eram uma preciosidade sem preço, por serem um patrimônio da humanidade.
Na Europa, o pouco que sobrou dos tempos antigos depois do esfacelamento do império romano foi guardada nos mosteiros medievais e ali muitos estudos foram desenvolvidos e muitos livros foram pacientemente confeccionados em manuscritos. Mais tarde somou-se a um acervo inseridos pelos árabes que se instalaram na Europa que continha muito da cultura grega antiga e muitos conhecimentos oriundos de várias partes do mundo como Atenas, Constantinopla e Alexandria e outras, que desembocou no renascimento. Esse foi um sentimento preservacionista da cultura e uma reverencia a posteridade. Mas isso foi seguido de um verdadeiro massacre cultural, quando a inquisição ordenou a queima de muitos livros e instrumentos de pesquisa, bem como o de seus autores. Ficou patente aí a ganância, o egoísmo ideológico, a conquista da hegemonia e todo o sentimento de dominação. No meio de tantas intrigas, delações, ignomínias e infâmias de todo tipo, muita coisa da história da humanidade se perdeu. Outras só chegaram até nós porque foram devidamente ocultas.
Mas esses vandalismos culturais de uns e o sentimento de favorecimento a posteridade de outros não são delitos característicos da antiguidade, na verdade são inerentes a pessoa humana. Em épocas mais recentes, já no século XX aconteceu na reforma cultural da china, na época de Mão Tse Tung e na segunda grande guerra promovida por Hitler, onde muitos livros foram queimados e até hoje anda acontecendo em menor ou maior grau. Isso não acontece só com os ditadores e invasores. Cada um de nós tem sempre uma parcela de culpa devido a má orientação nos processos educacionais e pelo tipo de cultura veloz, volátil e maquinal que se espalha hoje.
Recentemente numa empresa de grande porte onde trabalhei, na época da implantação do sistema de qualidade total, alem de muitas coisas inquestionavelmente úteis apareceu uma filosofia japonesa intitulada lá como 5S, baseado em cinco princípios fundamentais e suas conseqüentes extensões. O primeiro desses, chamado Seiri, que pode entre outras traduções ser interpretado como descarte, foi largamente difundido e deu-se muita ênfase ao jogar fora, geralmente expresso em quilos ou até toneladas de ferrabulhos e vários outros materiais imprestáveis, dentre eles, papeis. Por esse princípio, tudo que já estivesse informatizado, fosse velho, obsoleto ou estar em desuso há uns cinco anos deveria ser descartado. Isso pode ser ótimo, mas se mal interpretado e mal orientado pode levar a atos que chegam as raias do vandalismo. Muita gente jogou fora anotações de pesquisas e trabalhos que serviriam para referencias futuras e ainda não haviam sido digitados só porque estavam guardados e meio empoeirados e porque não sabiam a importância do seu conteúdo. Era a memória da empresa indo para o lixo. Consegui salvar bem pouco das coisas que consegui presenciar depois de fazer uma criteriosa triagem. Até bem pouco tempo atrás, mesmo alguns anos depois de ter saído eu ainda tinha, até que deu praga de traças, ácaros e baratas e eu fui obrigado a me desfazer.
Alguns poucos eu digitalizei.
Agora já estou preocupado em não poder usar essa informação mais tarde, a menos que eu fique vigilante e acompanhe a evolução e passe para outros meios de armazenamento que forem surgindo.
Eu tenho consciência que esse material e muitos outros que andam por aí são uma quantidade ínfima, um grão de areia no universo e que a minha expectativa de vida útil e lúcida não é muito grande e que provavelmente isso não servirá mais pra nada. Mas não é a mim que me refiro nem especificamente a esses materiais, mas a índole do ser humano atual a respeito da documentação.
Acho que isso vale como um sinal de alerta. Se não for muito exagero de minha parte, vislumbro um apocalipse tecnológico, num futuro não muito distante. Hoje o computador tem tudo, é o grande guardião de todas as informações, comanda a navegação marítima, aérea, espacial, a industria o comercio, a bolsa de valores as instituições de ensino, governamentais e tudo mais que se pensar. Qualquer pane ou apagão por tempo maior do que o esperado é um caos.
Essa dependência exagerada está tornando a humanidade refém de sua própria criação. Isso é preocupante se considerarmos a maneira como estamos tratando o meio ambiente, o que nos expõe cada dia mais a ocorrências catastróficas.
É a minha mais recente fobia.
Roberto Vasco
ola gostaria nuito de receber diadramas de comandos de motores tipo dahlander duas velocidades por auto-transformador sou estudante e trabalho na area, precso montar um misturador com motor de 30 cv. obrigado
Jorge, bom dia. Bom seria se a gente tivesse um atlas contendo todos os tipos possíveis e imagináveis de ligações que contemplassem todos os casos. Infelizmente não é assim que as coisas funcionam. Não existem diagramas prontos que contemplem todos os casos que apareçam, até porque são muitas as variáveis. Então tudo tem que ser projetado baseado nos dados que atendem a finalidade a que se propõe. Voce tem que considerar o tipo de motor que usará, quais são as velocidades e a modalidade segundo a dinâmica da sua maquinaria para definir se usará conjugado constante, potência constante ou conjugado variável, pois isso definirá o tipo de ligação e o fechamento, que será usado para a construção do circuito de força. Alem disso, como cada velocidade usada possui uma corrente diferente da outra, voce deve ver na placa do motor a corrente nominal para cada fechamento, o que servirá para voce definir as proteções a serem utilizadas. Pelo que vejo na sua descrição, voce tem mais uma necessidade, uso de um auto-transformados para aliviar a partida, que tambem deve ser estudado para ver se não se pode elimina-lo ou usar um soft-starter fazendo a sua função.Em qualquer dos casos isso representa mais dados a serem colhidos e convenientemente inseridos no projeto.
sds,Roberto Vasco.