Ocorrências Elétricas no Escritório
1- Caixa de luz estourou. Essa é uma ocorrência comum ultimamente. Antigamente era mais raro, pois os bocais das lâmpadas eram expostos e sujeitos a um melhor resfriamento. Quando apareceram as lâmpadas fluorescentes, essas dissipavam menos calor e seus reatores eram encapsulados em epóxi e acondicionados em caixas metálicas seguras. Mas em algumas instalações foram feitos rebaixamento de teto e os dispositivos de iluminação foram embutidos e as lâmpadas inseridas em invólucros metálicos, mas o isolamento dos fios continuou os mesmos, sendo deteriorados pelo calor e causando curtos circuitos. Fiação sujeita a alta temperatura deve ser de classe de temperatura do isolamento superior, compatível com esta, ou ter o isolamento normal recoberto com um espaguete de fibra de vidro.
2- Fiação queimou e tomada estourou. Essa é outra causa comum, quando o uso de um equipamento maior do que permitido é inserido na tomada e a proteção não funcione conforme esperado. Também é muito comum quando se multiplicam tomadas através de benjamins e ou extensões. Assim ao invés de ligar um equipamento se ligam tantos quantos se tenham vontade. Então a carga excessiva provoca aumento de temperatura que degrada o isolamento que fecha curto e desarma tudo. Mas essa ainda é a hipótese mais suave. Pode o disjuntor estar mal dimensionado, resistir e queimar toda a fiação, inclusive interna à tubulação. Se a queima for externa e a fiação não tiver isolamento anti-chama pode haver fogo que se alastre ocorrendo incêndio.
3- Estufa improvisada quase queima tudo. Essa também é interessante. Alguém fez uma estufa de lâmpadas a pretexto de secar papeis de impressora. Colocou uma lâmpada de potência muito maior do que a necessária, cujo bocal e fiação correspondente ficava junto com a lâmpada dentro da estufa. Quando tinha muito papel, sempre ficava alguma folha encostada na lâmpada. Com o tempo houve um princípio de incêndio que por sorte foi controlado porque havia alguém próximo que desligou a tomada. O erro foi ter aberto a portinhola, pois com a entrada do oxigênio do ar o que era só fumaça virou também chama. Logo fecharam e retiram do ambiente.
4- Quase toda hora a iluminação da metade do escritório apaga e as tomadas dos equipamentos desligam. Foi constatado má distribuição de carga nos circuitos e aumento de carga sem avaliar a conseqüência. A gota d’água foi a troca de um aparelho de ar condicionado de 7500 por um de 1200 BTU num circuito já bastante carregado. O lado bom da história é que a longo prazo foi feita uma redefinição de projeto com acréscimo de numero de circuitos com as devidas proteções e repotenciamento do alimentador geral que já estava pelo gargalo.
5- Curto circuito em tomada de piso. Essa é outra ocorrência comum onde elas existem. Geralmente possuem uma tampa com acionamento por molas que permite seu fechamento quando fora de uso. Quando esse sistema fica defeituoso, a mola ou o acionamento da tampa quebra, acaba ficando um bom tempo sem ela, senão sempre, porque esta ainda funciona eletricamente. Com isso acaba acumulando corpos estranhos como grampos clipses e outros resíduos metálicos que provocam curto circuito, ou poeira, que com a umidade acaba baixando o isolamento também provocando curto.
6- Esses acima são apenas alguns exemplos. Na verdade num escritório existem muitos equipamentos como fontes de alimentação estabilizadas, computadores, impressoras, copiadoras, etc, com alimentação elétrica, sujeitos a problemas de aquecimentos e queimas. Sem falar nos problemas devido aos aterramentos ou a falta deles que já mencionamos em outras oportunidades.
A eletricidade é uma utilidade que representa comodidade mas também riscos que se não controlados podem ser responsáveis por inúmeras ocorrências. As causas são sempre as mesmas. Algumas nascem nos projetos ou na falta deles.
Os projetos elétricos são baseados em expectativa de cargas a serem utilizadas (Potência instalada ) e contempladas considerações técnicas explícitas em normas específicas vigentes a respeito de capacidade de carga dos condutores, isolamentos, temperaturas admitidas, métodos de instalação, observância das características técnicas dos produtos, fornecidas pelos fabricantes e também a procedência comercial que garanta a qualidade dos produtos adquiridos, sempre que preciso sob comprovação. Alem disso tem que haver um responsável técnico e uma fiscalização que examine se essas exigências estão sendo cumpridas e se a instalação realmente foi executada conforme projeto.
Depois de tudo isso vem a manutenção, que também deve ser de boa qualidade.
Também existe a figura principal, que é o usuário do sistema, que raramente é mencionado mas que mesmo sendo leigo no assunto deve ser informado nos cursos de segurança internos a respeito de cuidados básicos, que podem evitar muitos problemas.
Um dos problemas comuns provocados pelo usuário é a multiplicação de tomadas, que é um aumento de carga não previsto e se constitui então numa inobservância da potência instalada e dos dispositivos de proteção. Sempre deve se ter em mente, que as proteções são dimensionadas em função da carga máxima admitida por circuito alimentador. Mesmo que se troque o disjuntor por outro maior, existe a bitola do condutor a ser considerada pois sua capacidade de condução de corrente sem elevar muito a temperatura também foi definida em função da carga máxima.
O repotenciamento de aparelhos também se inclui nesse caso. O exemplo mais comum é a troca de um aparelho de ar condicionado por outro maior.
É possível que um caso isolado não acarrete um problema sério. Mas geralmente em um edifício acontecem pelo mesmo motivo muitos casos ao mesmo tempo e ao longo do tempo que acabam resultando num aumento indiscriminado de carga e levando a problemas graves como incêndios e outros.
