Você tem certeza que desligou seu equipamento ?
Em segurança industrial, nenhum comprovante é suficiente quando alguém tem dúvida, assim nesses casos é melhor conferir, afinal a dúvida pode ser um sinal de alerta. Algumas vezes a gente acaba encontrando algo e se sente agradecido por ter descoberto a tempo de evitar o pior. Outras vezes não encontra nada mas ninguém fica aborrecido pois nesses casos a dúvida é sempre salutar.
Na história a seguir nada de anormal efetivamente aconteceu, exceto um grande susto devido a um fato externo totalmente alheio aos assuntos do trabalho.
Numa indústria de grande porte, estávamos numa parada geral para manutenção e muitos equipamentos foram liberados para equipes de diversas manutenções executarem serviços de reparos, substituição de peças desgastadas, etc.
Um desses equipamentos era um ventilador responsável peca secagem descendente do material recém admitido no sistema do forno. Em seu interior, uma equipe de mecânicos deveria entrar para realizar os serviços necessários àquela parte.
Apesar de estar de posse do cartão de segurança que formalizava o desligamento e a liberação o supervisor daquela equipe quando me viu perguntou.
Você desligou o disjuntor? Ao que confirmei firmemente. Aí o pessoal começou a entrar para trabalhar, uma equipe de cerca de doze homens.
- Mas você tem certeza que o desligamento foi feito?
- Sim, garanti.
E o pessoal continuou entrando no interior do equipamento.
Passou mais um minuto e o cara preocupado demais insistiu:
- Mas você tem mesmo certeza que o disjuntor está totalmente desligado e não liga de jeito nenhum?
Diante da insistência, fiquei apreensivo, achando que poderia ser alguma espécie de premonição e aquela inquietação ser prenuncio de alguma desgraça. Então resolvi retornar a subestação para conferir se o disjuntor continuava afastado do barramento, travado e que ninguém talvez por engano tivesse mexido.
Antes que eu conseguisse dar um passo sequer, ouviu-se um barulho ensurdecedor durante alguns segundos.
O pessoal muito assustado começou a sair de lá de dentro o mais depressa que as condições locais permitiam, pensando que fosse o equipamento que pudesse estar entrando em funcionamento. Era pavor mesmo, porque isso seria improvável, pois o equipamento começa rodando muito de vagar e leva cerca de 50 segundos para adquirir a velocidade nominal e o ar, responsável pela maior parte do barulho só começa a fluir depois do processo de partida concluído, quando as aletas são abertas. Mas pavor é assim mesmo.
O barulho aumentou até um máximo e depois diminuiu até se extinguir completamente. Era um avião que passou baixo sobre o teto da industria, que como estava parada, qualquer barulho que antes ninguém ouvia, agora realçava. Depois do susto o pessoal acabou rindo e voltaram a trabalhar. Para tirar a preocupação do cara e salvaguardar a minha parte, eu o levei até a subestação e mostrei o painel com o disjuntor afastado do barramento e travado.