Tomou um choque em um poste aterrado

As condições inseguras pode aparecer a partir de certa data, em conseqüência de uma avaria que venha a anular uma medida de controle ou algum artifício de segurança concebido em projeto e corretamente instalado e aprovado por intermédio de ensaios. Muitas vezes, essas condições nem sempre são visíveis e por isso, lamentavelmente, quando tomamos consciência delas é porque algum acidente aconteceu, que pode ser grave ou até mesmo fatal.

A história a seguir é sobre um desses casos:

Nos pátios de estocagem de uma empresa de grande porte, havia torres de iluminação, com vários refletores cada uma. Essas torres eram constituídas de um poste de concreto armado de cerca de 30 metros de altura, com uma plataforma metálica no alto, onde se podiam realizar os serviços de manutenção.

Alem dos refletores havia também o pára-raios.

Em toda extensão do poste havia uma escada de marinheiro com degraus de ferro e uma estrutura protetora em torno desta.

Todas as partes metálicas eram devidamente aterradas por um cabo de cobre nu de 4/0mcm, conectado a malha geral de terra.

Certo dia, dois eletricistas de manutenção, cumprindo a sua rotina de inspeção e manutenção, chegaram a uma dessas torres, subiram e após fazer a devida inspeção inicial sentiram a necessidade de ligar a iluminação pelo recurso manual e ver se estavam todas acendendo, uma vez que o sistema dispunha de foto-célula que desliga a luz automaticamente pelo efeito da claridade.

O eletricista mais antigo que comandava o serviço disse para seu ajudante: vai ali na subestação e passa o controle das torres dessa região para manual para que eu verifique se todos acendem.

Ele foi. Quando chegou lá, ficou em dúvida, pois havia quatro painéis com circuitos iguais e ele não sabia qual deles era para ligar. Então, voltou no local e comunicou o fato ao outro que então decidiu: Fica aqui observando então que eu vou ligar. O ajudante subiu e ele foi para a subestação, ligou e tudo funcionou. O ajudante no local, anotou quantos não acenderam e começou a descer. O eletricista voltou para o local.

Quando faltavam alguns metros para chegar lá viu que o seu ajudante já estava com o processo de descida quase concluído. No momento que ele chegou próximo do solo, colocou a mão num tubo metálico ao lado do poste. O eletricista então percebeu que em dado momento o cigarro do ajudante caiu de seus lábios, ele estava meio convulsivo e em seguida caiu sobre um monte de material que estava no chão, que para a sua sorte, de algum modo, amorteceu sua queda e evitou uma lesão séria no rosto. O eletricista correu lá pensando que o ajudante tinha passado mal, pronto para ajudá-lo e remove-lo dali ou providenciar uma ambulância.

O sujeito já estava se recobrando de seu estado de semi-inconsciência quando ele chegou mais perto e por sorte não aconteceu o pior e apesar do tremendo incômodo e enorme susto ainda conseguiu falar. Então contou sobre o choque brutal que tinha levado quando encostou a mão no tubo de ferro galvanizado ao lado, de onde saíam os cabos de alimentação para aquela torre.

Era difícil de acreditar. Uma estrutura com um cabo ligado a terra não poderia dar choque. Então comunicaram o fato e pediram reforço.

Mediram a tensão entre a estrutura metálica supostamente aterrada e o tubo do lado e encontraram 220 volts. Por certo tratava-se de um retorno.

Fazendo uma inspeção mais amiúde descobriram que o cabo que saía da estrutura e entrava na calçada de concreto, não estava realmente aterrado. A causa certamente seria ter sido cortada pelo trator que trabalhou naquela área fazendo seu serviço de acerto das pilhas de material.

A medida de controle definitiva era um serviço de escavação, descoberta da ponta do cabo, emenda e conexão à malha geral de terra. Como isso seria muito demorado e a situação não deveria perdurar, foi usada como medida emergencial, ligar um cabo entre a estrutura e o tubo, que por ser metálico e estar soterrado, se constituía num bom terra.

A análise mostrou que houve uma condição insegura, criada por um serviço de escavação numa área próxima, rompendo a ligação da estrutura à malha.

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