Recusa de serviço por falta de segurança
Essa história pode ser considerada uma evolução do pensamento geral sobre segurança, coroada com uma mudança de atitudes o que se considerada a época do acontecimento, foi um grande avanço.
Havia numa grande empresa um setor auxiliar à produção, intimamente ligada a ela por ser fonte de informação vital para a qualidade do produto.
Ali, entre muitos equipamentos, havia uma ponte rolante, muito importante ao desenvolvimento do trabalho.
Esse equipamento vinha apresentando problemas elétricos, com constantes desarmes e paradas em local impróprio à manutenção, no meio do vão. Nesse ponto é necessário lembrar que não havia uma passarela lateral para o acesso seguro ao pessoal de manutenção e que para chegar até lá os mais “corajosos” ou menos prudentes, que não tinham “pavor de altura”, se arriscavam e iam até lá andando sobre as vigas equilibrando-se como podiam. Aqui vale comentar que quando alguém diz que não tem mais medo ou já está acostumado, está na verdade desprotegido, pois não possui mais seu senso natural de segurança(medo) e não reage mais a presença de algo potencialmente perigoso.
Muitos atendimentos foram feitos ali e o pessoal se arriscava muito para desempenhar a tarefa, mas por um fator cultural, ninguém reclamava ou registrava a condição insegura, achando que talvez fizesse parte de uma situação normal ou encaravam aquilo como “ossos do ofício”.
Após alguns cursos de segurança, o pessoal começou a tomar consciência da gravidade daquela situação e muitos começaram a não prestar o atendimento, “enrolando” o cliente, até que havia alguém em algum horário que ficava sem saída e acabava atendendo apesar do enorme risco. Isso era um problema cultural, mas também institucional, pois as informações foram passadas, mas até então ninguém garantia formalmente que atitudes seguras seriam valorizadas e não sujeitas a retaliações.
Começava a acontecer um agravante. O pessoal do dia não atendia alegando (não formalmente) falta de tempo ou excesso de tarefas e quando chegava em horários menos movimentados, geralmente nos turnos depois da meia noite, não havia mais essa desculpa. Isso era muito mais perigoso porque o trabalho nesse horário envolve fatores pessoais mais presentes, principalmente quanto a coordenação. Dessa forma alguns ainda atendiam.
Até que um dia, depois de um curso de segurança onde foram abordadas as responsabilidades civis e criminais pelos acidentes, os encarregados e chefes de equipe ficaram muito mais temerosos e passaram a perceber a necessidade de salvaguardar-se.
Assim começaram a negar o atendimento, explicitando o motivo e a registrar no livro de ocorrências, documentando o motivo da recusa e qual a condição que faltava para se atender com segurança. Assim, eles foram pró ativos e fizeram acontecer as medidas necessárias.
Isso a princípio gerou uma enorme agitação, afinal se tratava de um confronto cultural. No entanto foi acatada a decisão do chefe da equipe que determinou o não atendimento e garantida sua não retaliação. O resultado disso foi a eliminação da condição insegura em tempo recorde, construindo a necessária passarela.
Mas o mais interessante, foi a mudança de mentalidade e a mudança de atitude.