Queima de cabos em subestação

Hoje em dia os cabos elétricos são do tipo anti-chama, ou seja quando queimam, não propagam a chama, evitando a propagação do incêndio, a menos que haja materiais combustíveis em contato com eles. Assim é necessário que os restos de obra como pedaços de madeira, papel e sacos plásticos sejam recolhidos imediatamente após o uso para não ficarem por lá.

Nos últimos anos também, foram desenvolvidos sistemas como os de CO2, cujas válvulas são disparadas automaticamente caso algum sensor de incêndio detecte fumaça ou chama. Os primeiros sensores que apareceram eram muito sensíveis e do tipo ótico, que detectavam até poeiras e com o tempo sujavam ou embaçavam disparando falsamente. Então os primeiros sistemas foram concebidos disparando uma sinalização, ao invés de diretamente as válvulas que eram então acionadas por um operador, caso a sinalização fosse confirmada como sendo real por alguém que fosse na área.

A história a seguir fala sobre esses assuntos:

Em determinada área industrial de uma empresa de grande porte, havia uma subestação que atendia a todo o sistema da região. Devido a abrigar uma enorme quantidade de circuitos, havia uma superpopulação de cabos em suas canaletas, bandejas e galerias.

Certa vez, a sala de controle de produção solicitou que fosse lá verificar, pois havia muitos equipamentos alimentados por ali que pararam e não aceitavam religação. Quando o pessoal da manutenção chegou lá e abriu a porta, uma nuvem de fumaça tóxica avançou. Como observaram que não havia chama, abriram todas as portas para descarregar aquele ambiente e entraram, com auxílio de equipamentos de respiração artificial autônoma, para fazer uma inspeção mais detalhada e ver o que realmente aconteceu e qual a extensão dos danos. Notaram que alguns cabos de força ainda estavam energizados e saindo faíscas por condução superficial devido à carbonização, então providenciaram os desligamentos. O passo seguinte foi a identificação de todos os cabos para orientar a requisição de todo o material que teria que ser substituído e para contabilizar os prejuízos, que serviriam de subsídios para a negociação com a seguradora.

Paralelamente, chamaram o corpo de bombeiros, pois apesar de não haver fogo a ser apagado, tinham que lavrar a ocorrência que serviria para compor a documentação do sinistro.

Depois disso, ainda tiveram que explicar ao pessoal da segurança e da seguradora, porque o sistema de CO2 não fora acionado, uma vez que já estava pronto e apto a operar. Realmente foi difícil num primeiro momento explicar porque com uma quantidade tão grande de material queimado o sistema não foi acionado.

Foi mostrado, inclusive com documentação técnica a respeito de cabos anti-chama e sua ação quando ocorre a queima da capa e assim justificar o não acionamento do sistema de extinção de chama por CO2, o que não havendo outro jeito acabou sendo aceito, mas parece que o pessoal ainda não ficou muito satisfeito.

Analisando-se o caso sob o aspecto segurança, embora falando de maneira genérica, pois não discutiremos exatamente o caso em si, podemos considerar:

1- A superpopulação de cabos é nociva em todos os casos. Quando uma quantidade muito grande de cabos é sobreposta, o peso que fica sobre os que estão mais embaixo é muito grande e os comprime sobre as travessas que constituem o leito de cabos das bandejas.

2- Deve-se ter muito cuidado para não apoiar os cabos sobre quinas vivas e quando isso for inevitável, uma proteção de borracha deve ficar sobre ela.

3- Na passada de cabos por um bandejamento onde já existam outros, tem que se ter muito cuidado com o atrito para que os cabos que estejam no local não se danifiquem pelo atrito.

4- Se forem observadas durante inspeções um aquecimento exagerado em algum cabo, deverá ser estudado se corrente de trabalho a que está submetido não esteja alem da permitida ou se não há problemas de má distribuição ou auto-indução.

Vale lembrar que hoje os sensores foram muito melhorados e são do tipo infravermelho, que geralmente não disparam falsamente por poeiras e outros casos. Assim os sistemas podem ser automaticamente disparados com segurança.

Leave a Reply