Pegou fogo no forno
Às vezes no treinamento de segurança alguns conceitos passam despercebidos ou não são suficientemente solidificados.
Uma outra coisa que se observa é que muitas vezes as pessoas dão mais importância à ação do que o significado delas ou o momento exato de sua aplicação.
Uma outra coisa que acontece é que talvez pela pouca carga horária e a inconstância do treinamento ou a demora em sua reciclagem faz com que os treinandos não adquiram o condicionamento psicológico para o atendimento de emergência, quando diante de um fato real ficam sem ação ou agem sem uma necessária coordenação.
A história seguinte aborda esses fatos:
Numa grande empresa havia entre muitos outros equipamentos um forno constituído de uma grelha móvel com cerca de 50 metros de comprimento.
Numa determinada época, houve uma parada geral para a manutenção, inclusive nesse equipamento, quando foram feitos reparos gerais internamente, principalmente no material refratário. Esse tipo de serviço envolve uma enorme quantidade de pessoas, transitando pra lá e pra cá com carrinhos de mão cheios de massa e outros componentes. Durante esse período o interior é forrado com tábuas que servem de passadiço para as pessoas e os carrinhos.
A manutenção foi concluída e como sempre o tempo estava muito apertado, segundo o cronograma da produção. As tábuas e todo resto de material utilizado no serviço foi retirado do interior para permitir a inserção dos carros componentes da grelha e colocados do lado de fora no piso de uma das laterais. Não havia tempo suficiente para recolher naquele dia, ficando programado para o dia seguinte cedo.
À noite, estando tudo a pleno funcionamento, não se sabe como nem porque houve um incêndio envolvendo todo aquele material, quando a sala de controle emitiu um alerta geral. Naquela agitação o operador as sala falou: Está pegando fogo no forno, quem puder ajudar se dirija para lá.
Diante de uma frase tão mal construída quem ouvia pensava: Que coisa mais estranha. Forno tem mesmo é que pegar fogo. Poderia ser até brincadeira, porem ninguém brincaria em serviço e com um assunto tão sério como incêndio. Também a entonação da voz no chamado denotava apreensão.
Assim todo mundo que estava nas salas de manutenção se dirigiu para o local.
Seria uma ótima oportunidade para por em prática os conhecimentos adquiridos no curso de combate a incêndios realizados naquela semana.
Para abreviar a história, gastaram 30 extintores de incêndio disponíveis nas áreas e o incêndio nem mesmo foi controlado. Só não aconteceu o pior porque os bombeiros foram chamados e atenderam prontamente.
Ali se pode perceber que as ações não foram coordenadas, as pessoas estavam muito nervosas e não conseguiram desempenhar bem as ações.
Alem disso sabe-se que os extintores só são eficazes se forem utilizados apenas nos princípios de incêndios e com os tipos adequados a cada tipo.
