Incêndio em Subestação

Nos dias de hoje os incêndios nas subestações ou salas elétricas ficaram menos freqüentes e mais restritos devido a algumas medidas de controle adotadas, resultado de aprendizagem com a ocorrência ao longo dos anos e de muitos sinistros.

Hoje, os painéis de força de cada equipamento são enclausurados, isto é, totalmente fechados, de modo a impedir que o ar ali ionizado por um arco elétrico se dissemine e acabe fazendo com que circuitos adjacentes sofram as avarias. Alem disso a nova tecnologia de cabos anti-chama, cuja capa derrete sobre o efeito de altas temperaturas sem provocar fogo, tem contribuído para que os sinistros quando acontecem sejam de menor monta. Também o desenvolvimento da qualidade das proteções e das manutenções tem contribuído. Alem de tudo, sistemas automáticos de extinção por CO2 tem sido constantemente adotados.

Muitas histórias, como a relatada a seguir, serviram de lição:

Em uma instalação industrial, como é comum, havia um prédio onde estavam concentrados os sistemas elétricos de uma região. No subsolo, os cabos que chegavam ou saiam para locais diversos. Imediatamente acima, uma subestação de força em alta tensão. Logo mais acima uma sala de cabos e acima desta uma subestação de força em baixa tensão, 440 volts. Acima desta mais uma sala de cabos e acima dela uma sala elétrica com todo o sistema de comando. Acima desta, outra sala de cabos e mais acima uma sala de instrumentação onde muitos circuitos eletrônicos eram localizados. Alem da parte de salas elétricas, uma parte do prédio abrigava salas de supervisão de produção e manutenção e de equipes de manutenção, cuja proximidade com o sistema agilizava o atendimento. Tudo funcionou muito bem até que um dia aconteceu um incêndio devastador que consumiu tudo que havia por lá e mal deu tempo dos ocupantes correrem.

Quando o corpo de bombeiros chegou, não conseguiu fazer mais nada alem de extinguir o fogo. As informações a seguir não são oficiais, mas colhidas de comentários aqui e ali.

Um operário estava ajudando a guiar um cabo sobre uma bandeja. Como essa era localizada na parte mais alta, ele estava sobre outra bandeja bem mais abaixo, fazendo-a de degrau. Em dado momento um colega na extremidade oposta da sala de cabos gritava muito tentando alertá-lo de algo anormal que ocorria. Ele pensando que o outro estava brincando, mexendo com ele, gritava de volta xingando, também em tom de brincadeira e continuava seu trabalho. A situação ia piorando e o outro com medo não se aproximava e tudo que ainda fazia era gritar, tentando alertá-lo. Quando finalmente ele se deu conta, já havia muita fumaça tóxica a sua volta e um enorme calor sob sua botina, cujo solado já começava a se derreter. Pulou de onde estava e saiu apavorado dali para comunicar o fato a algum responsável que pudesse tomar providencias.

Mas a coisa evoluiu rápida demais. Em poucos minutos o fogo se alastrou e foi queimando de baixo para cima até não sobrar nada. Nessas horas, extintores de incêndio não servem pra nada, pois só tem efeito em princípios de incêndio localizados. Depois que a coisa evolui, fica incontrolável. Mesmo os bombeiros não conseguem salvar muita coisa, tudo que podem fazer é extinguir o fogo e fazer o resfriamento para evitar a propagação para áreas adjacentes.

Examinando a questão sobre o aspecto segurança, quando se fala na parte elétrica, vemos que um arco elétrico produz um calor intenso, da ordem de 3500 graus Celsius, e uma radiação ultravioleta também intensa. Com respeito à proteção por sobre corrente podemos afirmar que nem sempre funciona nesses casos, pois no momento do curto circuito que provoca o arco há um pico de corrente, mas logo que o arco se estabelece e a corrente circula pelo ar ionizado, a corrente abaixa substancialmente e às vezes as proteções enxergam aquilo como uma corrente considerada normal, dentro do limiar estabelecido. Uma proteção de falha a terra ou assimetria funciona melhor nesses casos.

Na verdade uma só medida de controle não basta. Assim as análises dos sinistros e suas causas ao longo dos anos têm demonstrado que a única forma de evitar ou minimizar os efeitos danosos é adotar um elenco de medidas de controle envolvendo coisas que nascem ainda na mesa dos projetistas e especificadores de materiais, como cabos anti-chama, sistemas de extinção centralizado com CO2, proteções elétricas eficientes, bem ajustadas, reguladas e aferidas periodicamente, inspeções constantes, montagens cuidadosamente executadas e fiscalizadas, sistemas eficientes de contenção de descargas atmosféricas, sistema de aterramentos tecnicamente eficientes, manutenções eficazes e conscientes, etc.

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