Falso Acidente
Os serviços de atendimento de emergência estão cheios de registros de comunicações de falsos acidentes, alguns propositais com a maligna intenção de se divertir e outras porque os que comunicam realmente acreditam que houve algum e as vezes é até difícil convencer a pessoa que não aconteceu nada errado.
O caso relatado abaixo é um desses, onde felizmente não ocorreu nenhum acidente nem mesmo qualquer tipo de danos materiais, mas que deixou a pessoa envolvida alarmada a ponto de solicitar o comparecimento urgente de alguém que pudesse atender. Vamos a história.
ELÉTRICA, VEM RÁPIDO. UM PAINEL EXPLODIU !
Era o chamado do operador de uma área potencialmente perigosa, por abrigar 3 caldeiras, bombas de óleo e compressores.
É claro que numa área dessas, por mais sangue frio que o sujeito tenha, ele sempre trabalha apreensivo e atento às mínimas variações de sons que o ouvido consegue perceber em meio a aquela barulheira toda.
É claro que a gente que atendia os chamados daquela área também sentia um certo desconforto e já entrava ali meio assustado, procurando passar apenas o mínimo tempo suficiente para resolver o problema reclamado e tratar se sair fora o mais rápido que pudesse. Mas fazer o que, coisas da vida, o chamado era urgente e parecia grave, pelo menos na concepção de quem chamava, a considerar pela entonação de sua voz.
Chegando lá o eletricista não percebeu cheiro de queimado nenhum, não havia fogo, nem fumaça, nem nada preocupante.
Menos mau, pensou. Instintivamente foi até a sala do operador para pedir informações sobre a ocorrência e o local exato.
Foi naquele painel, apontou o operador ainda meio apavorado. Aquele que está com uma lâmpada de sinalização vermelha acesa. Nesse momento o eletricista avaliou que por se tratar da lâmpada que indicava relé térmico atuado, o circuito havia desarmado por sobrecarga e como o contator era daqueles grandes, deve ter feito algum barulho ao desligar. Abriu o painel e fez uma criteriosa inspeção. Não havia nenhuma anormalidade. Aí rearmou o relé térmico e a luz vermelha desapareceu, aparecendo a verde que indicava pronto para nova partida.
Nada explodiu por aqui, nem nesse painel nem nos adjacentes, disse o eletricista ao operador.
Mas eu vi o fogo, retrucou.
Bem, não há fogo, nem fumaça, nem nada chamuscado, nem nenhuma evidência de que tenha ocorrido algo aqui.
Vamos reconstituir a cena, disse o eletricista. Onde você estava? Vamos para aquela posição.
Meio a contragosto o operador foi para a posição solicitada e o eletricista o seguiu.
Eu estava aqui, quando ouvi um barulho, olhei pra lá e vi o fogo. Quando olhavam outra vez naquela direção, observaram que a portinhola de vidro da porta do painel onde havia um gráfico estava entreaberta e quando o vento a balançava refletia a chama piloto da caldeira, projetando-a exatamente onde estavam de modo que percebiam fortes lampejos. Quando o operador ouviu o ruído do contator desligando e olhou instintivamente na direção donde vinha, certamente viu o reflexo do piloto e associou a idéia de explosão do painel, fato que já ocorrera anteriormente.
È isso aí, às vezes o sujeito da manutenção que está de plantão tem que exercer seu papel de investigador como faz na pesquisa de defeitos elétricos, também em outras áreas e elucidar fatos para tranqüilizar os outros.
Ainda bem que foi um falso acidente. Mas o susto foi grande e serviu de sinal de alerta.