Brincadeira tola gera pânico
Algumas pessoas possuem como herança infantil um egocentrismo incorrigível.
Sentem mesmo a necessidade de atrair a atenção dos outros, fazem gracinhas, maquinando peraltices e não raramente chegando as raias da inconseqüência, outra característica infantil. Em se tratando de segurança, isso é uma fonte de acidentes, muitas vezes graves. Não são raras as ocorrências devido a isso.
É preciso identificar bem, pessoas com essas tendências através de avaliações psicológicas a fim de orientá-las muito bem e talvez nem colocá-las para certos tipos de serviço.
A história a seguir ilustra essa questão:
Certa vez, numa indústria de grande porte, houve um serviço de manutenção geral num moinho, um equipamento de grandes proporções onde uma equipe de profissionais trabalharia nas várias partes que o
constituíam, inclusive no seu interior.
Essa condição de trabalho por si só não é das mais confortáveis, devido ao calor, a umidade, o ruído e o confinamento, que os claustrofóbicos não suportam.
Alem disso tem a apreensão, aquele medo de que algo saia errado, apesar de todas as medidas de segurança adotadas e cause algum tipo de acidente, num local de difícil evasão.
Mas como não tem jeito mesmo e todos precisamos ganhar o pão nosso de cada dia, mãos a obra. O serviço começou animado e tudo saindo conforme o cronograma e sem ocorrências anormais.
Lá pela metade do dia, dois engraçadinhos tiveram a “brilhante idéia”: Encheram de gás Acetileno, completamente, dois sacos de plástico que sobraram da embalagem dos lanches,cerca de 2,5 litros cada, embrulharam num jornal e quem viu não entendeu nada, pois era uma tarefa totalmente inútil para os serviços e nada justificava aquilo. A coisa foi muito rápida e estavam a uma certa distância de modo que não haveria tempo de chamar atenção nem dissuadi-los da idéia.
Ma ainda para a surpresa geral, atearam fogo nas pontas de jornal e se afastaram esperando o resultado.
O que se seguiu foi simplesmente assustador e provavelmente nem os autores esperavam um resultado de tal magnitude. Houve uma violenta explosão, com um grande deslocamento de ar, potencializado por estar num galpão totalmente fechado. As estruturas e paredes tremeram. Caiu poeira das paredes e telhado.
Muitas pessoas tentavam correr em direção a porta do galpão temendo um desabamento.
Mas nada se comparou ao pânico dos que estavam no interior do moinho. Alguns quase entraram em estado de choque. Esses primeiramente tinham que buscar a saída do interior do equipamento o que era difícil, com tantos querendo sair ao mesmo tempo. Ainda bem que não se concretizou nenhum acidente com lesão nem chegou a danificar nada. Mas foi por pouco, porque o pânico por si só muitas vezes causa acidentes de grandes proporções, como pessoas pisoteadas quebras de ossos e escoriações generalizadas.
O caso resultou em demissão e a recomendação para que os responsáveis não fossem contratados por nenhuma das empreiteiras que serviam naquela empresa.
Ao mesmo tempo foi divulgado amplamente a tolerância zero às brincadeiras em serviço.
Roberto Vasco ( robertovasco@hotmail.com )