Acidente sem vítima ?

Algumas condições inseguras normalmente não são percebidas porque geralmente vão sendo geradas ao longo do tempo, por desgastes, muitas vezes de difícil detecção, principalmente quando o equipamento fica num local fora de alcance ou que só são acessíveis por meio de plataformas ou andaimes e mesmo assim se houver algum indício que leve a uma inspeção em peças específicas do equipamento. Alguns equipamentos como talhas e pontes rolantes são exemplos disso.

Outro comentário que faço aqui é a respeito da conceituação de acidentes com vítima ou sem ela. Muitas vezes só classificamos que houve vítima quando ocorreu alguma lesão física. Sempre esquecemos que existem seqüelas psicológicas que afetaram pessoas e que as conseqüências apareceram posteriormente como se fosse uma bomba de efeito retardado.

A história abaixo conta sobre os fatos citados acima.

Numa determinada área de uma empresa de grande porte, uma turma de manutenção foi designada para executar um serviço que envolvia a troca de motor e redutor e por isso era necessária a movimentação de carga na região para chegar com os componentes novos e retirar os velhos para reparos.

Essa área era constituída de quatro tanques de aproximadamente oito metros de diâmetro e dez metros de altura, montados lado a lado formando uma fileira. Sobre esse conjunto de tanques havia uma passarela fechada em forma de corredor de cerca de dois metros e meio, um pouco mais largo no local onde os equipamentos eram instalados. Sobre esse corredor, a cerca de seis metros de altura havia uma viga “I” de fora a fora que servia de movia na qual transitava um equipamentos conhecido como talha. A conexão móvel desta com a viga era feita através de um dispositivos com quatro rodas, duas de cada lado, que apoiavam sobre as abas dessa viga. Na parte que fixava esse carro à estrutura fixa da talha havia uma espécie de haste rosqueada, dimensionada para suportar o seu peso mais o da carga.

O serviço de manutenção começou bem, sem problemas.

Quando se preparavam para usar a talha, estando praticamente debaixo dela, e acionaram o botão de ligar a alimentação, ela simplesmente despencou de onde estava, caiu sobre o corredor, de ferro, como todo o resto da estrutura ali, fazendo um barulho ensurdecedor e levantando muita poeira.

Felizmente, por uma sorte sem tamanho das pessoas que estavam logo abaixo, não houve nenhuma lesão, nem mesmo leve. Mas o susto foi arrasador. Imaginem uma situação de pânico onde não haja uma rota de fuga segura.

Mesmo que houvesse, depois do acontecimento, onde não houve maiores danos nem acidentados, não haveria razão para sair correndo, até porque às vezes as pessoas sentem apatia e custam a recobrar sua calma e fazer qualquer ação posterior.

Segundo se comenta, um funcionário, evolvido diretamente sofreu problemas psicológicos sérios, chegando a passar muito mal no ápice da crise e depois ficou por algum tempo afastado, com muitas consultas médicas, muitas seções de análise e segundo consta não retornou àquela área industrial. Não se sabe com certeza, mas muitos relacionam seus problemas com esse acontecimento, que se não foi diretamente o causador, pelo menos potencializou ou desencadeou o processo.

Analisando a condição insegura, que ninguém sabia que havia até então, percebe-se que isso só consegue ser evitado se houver um programa de manutenção e substituição que leve em conta a vida útil estabelecida pelos fabricantes das peças e o numero de horas de funcionamento. De antemão é preciso que se diga que são dois itens de dificílimo controle pois a qualidade de peças hoje em dia no mercado como um todo é cada vez pior pela enorme quantidade de fornecedores, nem todos com sistema de qualidade assegurada, para não mencionar que existem muitos desonestos atuando. O numero de horas de operação de equipamentos pode ser conseguido instalando-se horímetros, prática que nem sempre é adotada e quando é, só existe em equipamentos de grande porte ou máquinas constituídas de um conjunto de equipamentos.

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