Burla no uso de cinto = Acidente Fatal

O uso do cinto de segurança é uma coisa meio incômoda, principalmente em certos momentos como no decurso da subida. Outra coisa é onde fixá-lo. Em manutenção de ponte rolante por exemplo. Se a gaiola ou varanda de proteção cair como já aconteceu, se for fixada na gaiola o sujeito cai junto. No entanto quando é necessário ficar sobre a ponte enquanto ela se movimenta para fazer algum trabalho temos outro problema para definir e agir.

Mas o interessante do cinto é que só se sabe da sua necessidade no exato momento em que se precisa realmente dele. Nessa hora, se não estiver perfeitamente colocado e muito bem afixado, geralmente é fatal.

A história a seguir ilustra bem isso.

Um trabalhador, já de meia idade, casado, pai de família, pedreiro, trabalhava numa empresa empreiteira em uma obra numa empresa de grande porte.

Certa vez foi necessário fazer alguns reparos no telhado de um galpão, constituídos de telhas de “eternite”.

O serviço consistia em reparos em alguns rufos com rachaduras e terminação das paredes com rebocos caídos e outros casos que resultavam em infiltrações.

O serviço foi devidamente planejado, os procedimentos de segurança foram cumpridos, etc. Acabando de subir, o pedreiro tratou logo de afivelar o cinto e o trabalho começou a bom ritmo. Trabalharam alguns dias sem nenhum problema.

Num desses dias, após várias horas de trabalho, o pedreiro precisou de uma tábua que estava a certa distancia dele. Começou a caminhar em sua direção, até que acabou o comprimento da corda que ligava o cinto ao ponto de ancoragem. Quase que instintivamente ele “achou” que não haveria problema se desatrelasse o cinto “um instantinho só” e caminhar apenas mais um metro e meio. Foi o último erro de sua vida. Lamentavelmente uma telha daquela, provavelmente fadigada pelo tempo e ação do sol e da chuva, choques térmicos, etc, não suportou o seu peso e se quebrou.

O resultado foi um acidente fatal. O sujeito caiu de uma altura de quase quinze metros, sobre uma bancada de trabalho, de ferro, para o grande susto e pânico de quem estava la embaixo e obviamente nunca esperava acontecer uma coisa dessas.

Depois desse trauma, outros, inclusive aquele momento crucial de comunicar à família a trágica ocorrência.

Fora as outras implicações e complicações, responsabilidades, inquéritos, etc.

Nos dias subseqüentes também é difícil trabalhar. O moral da equipe vai lá em baixo. Ninguém consegue esquecer, durante muito tempo.

Lamentavelmente temos que aprender com tão duras lições, mas aprendemos. Lamentavelmente também as vezes esquecemos, até que o fato se repete.

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