Arco Elétrico na explosão de componentes = queimaduras graves
Certos acontecimentos graves são imprevisíveis e por isso existem hoje procedimentos de segurança e equipamentos de proteção que a princípio parecem até supérfluos e que quase nunca são efetivamente submetidas a aquela condição, mas que só se percebe sua utilidade quando ocorre o sinistro.
Infelizmente teve que acontecer antes algumas vezes até que se criassem EPIs específicos para o caso e normatizasse o seu uso.
A história abaixo ilustra um caso onde a explosão de uma chave porta fusíveis provocou um arco elétrico muito intenso, que queimou muito um eletricista e o deixou hospitalizado por seis meses.
Havia na subestação, o circuito de força de muitos equipamentos industriais, que precisavam ser desenergizados sempre que um desses equipamentos precisasse de manutenção.
Certa vez, um eletricista de manutenção foi solicitado a fazer o desligamento de um determinado circuito de força. Esse ato era concretizado, abrindo-se a chave porta fusível, NH00125A, no painel de força da subestação. Esse equipamento tinha um histórico enorme de operações de ligação e desligamentos e essa chave foi operada excessivamente durante algum tempo.
Uma noite daquelas, quando ia fazer mais um desligamento para liberar para a manutenção, quando chegou de frente para o painel, ouviu um ruído estranho, mais pensou que fosse resultante da comutação de um grupo de tiristores no painel ao lado e por isso não deu maior importância.
Naquilo que ele colocou a mão sobre a chave porta fusível, antes mesmo de operá-la, houve uma violenta explosão gerando um arco elétrico muito intenso, queimando-o todo um lado do corpo, principalmente a região da mão direita e a parte do braço que não estava coberta pela camisa, pescoço e orelha.
Não queimo os olhos nem o rosto porque talvez por um instinto de preservação, virara o rosto para o outro lado.
Para se ter uma idéia da gravidade, o curto circuito ocorreu na parte superior dos contatos da chave, ligada diretamente ao barramento, ode o disjuntor tinha uma proteção de sobrecorrente instantânea de cerca de 3000 A .
Havia um “vazamento” entre fazes por baixo dos isoladores dos contatos, fazendo um trilhamento carbonizado, baixando o isolamento e piorando a cada dia o dito vazamento. Isso se explica o ruído que ele ouviu e nada conseguiu ver.
Daí em diante, foram seis meses de hospital com muitas operações de enxerto.
Naquela época não havia roupa especial, anti-chama e anti-arco, nem seu uso obrigatório para eletricista que fazem as manobras de desligamentos. Só depois de vários acontecimentos semelhantes é que foi criada.
O acidente se deveu a condição insegura, ainda que não tenha sido previsível ou detectada. Outra coisa que talvez tenha contribuído para o caso tenha sido a qualidade do material, principalmente ao seu limitado numero de manobras, o que ninguém até então tinha atentado para isso. Outro fato notório era que o projeto original previa na área, próximo ao equipamento, uma chave seccionadora que deveria ser sempre acionada sem carga, até porque havia um interruptor que desligava o comando primeiro, antes que os contatos de força da chave abrissem, evitando sua operação com carga e então acidentes. Mesmo que acontecesse, a chave era enclausurada num painel de aço hermeticamente fechado, evitando acidentes.
È lamentável que fatos muito graves como esse tenham que ter acontecido repetidas vezes para que providências mais consistentes tenham sido adotadas.
A história da segurança tem muito disso.
Bom dia
Sou TST
E responsavel por mais de 100 colaboradores, onde temos 02 duas subestações.
Gostaria de saber se é obrigatório roupa de manga comprida para plantonistas de subestações,que classificação, se tem quer ser RF, se RF significa resistente ao fogo e onde em q norma eu consigo o embasamento
Muito grato
Paulo cesar, A NR10 é a que regulamenta essa parte de segurança em eletricidade industrial. A NR6 fala de EPIs. No site: http://www.vamp-reles.com.br/home/hp/Publicacoes/riscos.pdf, voce encontra varios comentarios sobre ensaios de Camisas, jaquetas, calças e outras roupas de segurança anti arco e anti chama, ASTM, E várias outras. Alguns documentos de concessionarias de energia elétrica e outras empresas industriais, com documentos disponiveis na internet estabelecem regulamentos internos baseados na NR10 e outras sobre essas roupas.
Mas independente de qualquer coisa ja vi emvárias empresas acidentes sérios por falta de roupas anti arco e anti chama, inclusive um colega da minha época que trabalhei numa industria, passou 6 meses hospitalizado por causa de arco elétrico acidental.Ele nem mesmo chegou a desenergizar nada, foi só colocar a mão no punho da chave porta fusíveis e ela explodiu. Hoje o macacão especial é obrigatório e o grupo de pessoas que fazem as manobras é restrito e passam por avaliações psicológicas periódicas.
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