Burla de procedimento quase gera acidente grave

A pressa associada à improvisação e a falta de planejamento das tarefas, freqüentemente conduzem a acidentes de trabalho. Muitas vezes as pessoas sabem qual é o procedimento correto mas acabam por essa ou aquela razão não o executando ou queimando alguma etapa importante ou simplesmente burlando de alguma forma a própria segurança, a dos outros e a integridade dos equipamentos. Via de regra a desculpa é sempre a pressa.

Essa é uma das histórias que ilustram casos como esse.

Certa vez, um eletricista de uma grande indústria foi solicitado a fazer um desligamento da alimentação de uma grande máquina de estocagem, alimentada com 4160 volts, com certa urgência, pois a máquina deveria sofrer um reparo o mais rápido possível e a produção estava muito apertada em sua programação.

Na subestação, havia uma chave seccionadora, onde deveria ser efetuado o desligamento.

O procedimento correto, depois de cumpridas as etapas documentais, cartão de segurança e tudo era:

Desligamento da chave seccionadora, garantia de que as facas auxiliares haviam sido abertas, através de constatação por aparelho sensor de presença de tensão, descarregamento da carga capacitiva do cabo através de bastão apropriado, cuja ponta é interligada a um resistor de proteção de muito baixo valor e a um cabo flexível em cuja ponta há uma garra que deve ser conectada à terra.

È claro que em caso de curto circuito o resistor de proteção se funde, mas o arco é imediatamente extinto porque o resistor fica dentro do bastão de fibra de vidro. Alem disso esse bastão é excelente isolante e tem um comprimento adequado para fazer a manobra a uma distância segura.

Na pressa o eletricista esqueceu-se de trazer o bastão de testes e o bastão de descarga. Acionou a manopla da chave seccionadora no sentido do desligamento e as facas principais se abriram. Mas ainda pela pressa, teve um desvio de atenção e não percebeu que duas facas auxiliares não abriram. Mas se lembrou de fazer a descarga capacitiva do cabo. Como tinha esquecido de trazer o bastão de descarga apropriado, resolveu fazer com a ponta de prova do multímetro. Por sorte, colocou primeiro a caneta mais curta em contato com o terra e a seguir tocou rapidamente a ponta da caneta maior no terminal de um dos cabos.

Como o segundo estava com a faca auxiliar fechada, houve um curto circuito, abrindo um pequeno arco, que logo se extinguiu, porque por sorte o fio interno da caneta do multímetro é bem fino, alem do espaço existente no interior ser bem pequeno, com pouco ar a ser ionizado. Assim o fio se fundiu, o arco foi extinto.

O susto foi tamanho que o sujeito ficou branco como uma vela e as pernas tremiam como vara verde. Mas a lição ficou.

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