Excesso de zelo

Mais um caso de ato inseguro. Uma atitude tomada por impulso, talvez por excesso de zelo.

Certa vez, houve uma manutenção preventiva num determinado equipamento, onde entre outras coisas, o motor de acionamento de uma correia deveria ser trocado.

Foi feito todo um planejamento, toda a documentação de manutenção e de segurança pró-liberação. Foi requisitado o motor reserva e é claro, um guindaste com altura suficiente para alcançar.

A liberação foi feita, tudo foi desenergizado na subestação, os cabos do motor desconectados, etc. Até aí tudo bem.

Na hora de subir o motor reserva, a surpresa: na única posição possível para patolar o guindaste, subindo bastante a lança o guincho conseguia alcançar. Mas tinha um pequeno mas significativo detalhe: O operador do guindaste não via a carga, pois a própria edificação tapava a sua visão. No entanto o motr precisava ser trocado, pois o que estava lá estava em mas condições, rolamento ruim, vibração temperatura alta, etc.

Então veio a única idéia possível. Arranjar dois caras que sinalizassem bem e “fazer ponte”, isso é, um ficava próximo ao motor e o outro em intermediária.

Assim o que estava perto do motor avaliava a necessidade de movimento, sinalizava para o da intermediária e este sinalizava para o operador do guindaste. Esse tipo de operação tem que ser feita com muita calma, passo a passo, a intervalos suficientes para garantir a compreensão e observação dos movimentos corretos.

Então, depois de combinarem todas as manobras, começaram as operações.

O guindaste subiu o motor, manobrou o giro, a lança e o guincho de modo a passar por cima da edificação e descer o motor na abertura lateral do lado oposto, onde num exíguo espaço o motor novo deveria passar e depois sair o antigo.

A operação foi muito bem até o momento em que a base do motor apoiou na parte inferior da abertura.

O eletricista que estava acompanhando no local não via mais o motor descer e continuava sinalizando para o guincho baixar mais. E nada de abaixar. Aí ele exclamou, não é possível, deve haver algo errado.

De repente ele olha na direção do motor que chegava e vê uma sobra enorme de cabo do guincho, já fazendo uma enorme volta.

Aí ele tomou aquele susto achando que poderia despencar daquela altura e espatifar no chão e teve um ímpeto de abraçar o motor, como se fosse possível suste-lo. Claro, nem se quisesse poderia, afinal o peso era muito grande, cerca de 250 a 300 Kg. Alem disso esse era um ato inseguro perigosíssimo, pois se conseguisse agarrar o motor e esse se soltasse, cairia junto e então seria um acidente fatal.

Por sorte um companheiro que estava ao lado o fez retroceder.

Pararam para analisar o que ocorria, sinalizaram para tornar a subir até retesar o cabo do guincho e desprender o motor de onde estava agarrando. Depois disso reiniciaram a manobra com cuidado, posicionando melhor o motor na abertura e auxiliando com uma talha de corrente para ir puxando o motor para dentro a medida que esse descia. Assim concluíram a substituição com segurança. Depois foi providenciado a descida do motor usado.

Isso foi analisado como um ato inseguro, apesar de involuntário, pois esse tipo de reação é normal a qualquer pessoa. No susto a pessoa tem uma atitude irracional, não pensando no perigo ou conseqüências daquele ato.

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