Salvo por um simples procedimento de segurança
Essa é uma história curta, mas bem interessante. Mostra como realizar um simples procedimento de segurança pode evitar acidentes graves e possivelmente fatais.
Numa empresa de grande porte, havia um equipamento anti-poluente, que na verdade era um grande ventilador usado para sugar o ar contaminado por poeira do processo industrial, passar por um ciclone onde havia também um spray de água, de modo que todo o pó ficava retido e retornava ao processo e o ar livre de contaminação era liberado para a atmosfera.
Esse equipamento era submetido a manutenções periódicas. Na manutenção da parte estrutural, os mecânicos entravam no interior do equipamento para verificar e reparar desgastes. Então, desenergizar e garantir de todas as formas que não rodaria em hipótese alguma era vital para a segurança.
Havia um procedimento onde o mecânico chamava o operador do equipamento e solicitava que tentasse dar partida nesse, para garantir que estava mesmo sem condições de operar. Esse procedimento acabou salvando várias vidas, no dia que ocorreu o problema relatado abaixo.
Certa vez, um eletricista de manutenção, responsável pelo desligamento desse equipamento e colocar o cartão de segurança impedindo o funcionamento até a sua liberação pelo solicitante, ao receber a solicitação, se deslocou até a subestação para desligar o mesmo.
Acionou a manopla da chave seccionadora do circuito de força, até o seu final de curso no sentido de abri-la. Na pressa e provavelmente por ter algumas preocupações pessoais, cometeu uma falha, pois se esqueceu de desligar também o circuito de comando. Colocou o cartão, etc e liberou o equipamento para o pessoal da manutenção mecânica.
Chegando ao local, o mecânico solicitante, felizmente, cumpriu aquele procedimento de mandar o operador tentar das partida no equipamento. Para grande susto do pessoal esse rodou. Aí a confusão estava formada.
Chamaram o eletricista autor do desligamento, foram em comissão até a subestação para verificar o que ocorrera, pois o eletricista jurava que havia feito o procedimento normal de desligamento.
Quando abriram o painel de força constataram a lamentável ocorrência, as facas da chave seccionadora, não abriram efetivamente, pois por um defeito no sistema de acionamento, ocorreu um desacoplamento do sistema manopla/haste de acionamento da chave de modo que esta se movimentava mas a chave não operava como ocorreria em situação normal.
Isso o eletricista tentou usar como escapatória, mas o não desligamento das chaves de comando, não houve como explicar.
Tiveram então que consertar o defeito, garantir que depois a chave se abriu, desligar o comando e cumprir todo aquele ritual pró liberação.
O acidente, que seria fatal e de várias pessoas não chegou a se concretizar, graças ao procedimento de segurança cumprido. Mas foi muito complicado e embaraçoso.
Mas a lição ficou. Cumprir fielmente todos os procedimentos de segurança, por mais simples que sejam.
Analisando a falha percebe-se que o fator pessoal foi crítico nesse caso.
Depois disso, passou-se a exigir os exames psicológicos dos envolvidos em desligamento e liberação de equipamentos, com validade limitada a seis meses ou um ano e apoio do pessoal do serviço de assistência social para constantemente entrevistar o pessoal e tentar identificar e resolver problemas pessoais. Alem disso os chefes imediatos sempre que percebessem que alguém não estava bem ou tivesse algum problema particular, deveriam impedir que essa pessoa fosse designada principalmente para esse tipo de serviço.