Falta de planejamento de obra
Essa história mostra como a falta de planejamento de uma obra ou mesmo um planejamento incompleto ou deficiente pode gerar acidentes graves e até mesmo fatais.
Muitos tem sido os casos onde fizeram escavações em áreas industriais e mesmo comerciais ou residenciais, onde não se contemplou com antecedência o estudo da planta a fim de localizar tubulações de água, luz, gás, etc. Isso tem acarretado sérios transtornos como a interrupção do fornecimento de água, energia, etc.
Não muito raramente ocorrem acidentes sérios. Mas vamos a história.
Certa vez, numa industria de grande porte, um eletricista de manutenção recebeu a solicitação do centro de controle para comparecer a uma subestação e verificar o desarme da alimentação de uma máquina no pátio de estocagem.. Como o disjuntor havia desarmado, ele tentou rearmar. Ao ser ligado o mesmo desligou na hora. Então, resolver fazer uma inspeção no local, na máquina e no cabo móvel de alimentação.
Quando ia passando perto de uma obra de implantação de um novo sistema, notou que havia uma escavação para fazer as colunas de concreto que suportariam os cavaletes da nova correia transportadora que fazia parte do sistema. Aí alguém o chamou e disse: saiu um barulho estranho, tipo um estampido daqui de dentro desse buraco onde o rapaz está escavando com uma perfuratriz(tipo martelete). Foi lá, olhou mais de perto e constatou também vestígios de carbonização. Associando os fatos e a proximidade daquele buraco com um poço de cabos, não foi muito difícil de concluir que a origem do desarme, um curto circuito, era ali.
Realmente o raciocínio estava correto. Acidentalmente, haviam furado o duto onde passava os cabos de alta tensão de alimentação da máquina, provocando curto circuito, daí o desarme do disjuntor.
Não havia como reparar os cabos naquela situação. O serviço seria muito grande, tendo que substituir no todo ou em parte os cabos. Tinha que ser programado para uma turma maior, planejar o serviço, requisitar o cabo e pedir uma liberação no final para religar ao sistema.
È claro que naquele momento não tinha essa possibilidade. Mas a produção já estava muito comprometida por causa daqueles atrasos, o que se disseminava por todo um sistema.
A saída mais rápida foi requisitar um carretel de cabos daquela classe de tensão e de bitola adequada e passá-lo margeando uma tubulação onde era amarrado a intervalos regulares.
Feito isso fizeram ainda a emenda numa das pontas e a terminação na outra e depois conectaram, testaram,
energizaram e liberaram para a produção.
Alem disso foi aberta uma ordem de serviço para o serviço definitivo.
Bem, agora falta falar do protagonista dessa história, o operador do martelete. Esse deve ter sido protegido pelo seu anjinho da guarda, pois não levou nenhum choque elétrico e graças a Deus saiu ileso.
Aliás ele nem percebeu o barulho no momento em que perfurou, pois o martelete naturalmente faz aqueles barulhos pipocados e bem alto. Como era dia claro, não percebeu também nenhum clarão. O barulho que ouviram foi depois, quando a ferramenta estava parada enquanto ele recebia instruções do seu encarregado.
O fato é que a falta de planejamento, a nível de análise de plantas era fato recorrente. Muitas vezes tivemos que refazer as malhas de aterramento interrompidas durante escavações, antes que fechassem os buracos.