Em segurança não se quebra galho
Essa é uma história que mostra como a história de quebrar o galho, seja por amizade, necessidade do serviço, etc, burlando um item de segurança, pode resultar em acidente que simplesmente não se tem como explicar depois.
No presente caso mostrou também a falta de um procedimento de segurança adicional. Vamos a história.
Numa oficina elétrica havia uma ponte rolante, sumamente importante para o andamento do serviço. Sua falta, simplesmente impedia muitos tipos de serviço, como recebimento e expedição e praticamente inviabilizava outros serviços em andamento.
Certa vez o sistema de elevação ficou com um problema: o limite de elevação máxima sofreu avaria e teve que ser retirado para a manutenção e tentativa de recuperação, até que se comprasse outro, pois não havia nenhum no almoxarifado. Então a ponte foi posicionada em um lugar onde não atrapalhava, com o guincho um pouco baixo, para não correr o risco de chegar ao ponto de atuação.
Não tardou muito a aparecer uma emergência. A produção já estava parada por causa de um motor de um equipamento que sofrera avaria e não possuía reserva no estoque.
Não havia como recebê-lo sem acionar a ponte rolante para retira-lo de cima do caminhão, colocar no setor de desmonte e dali para as outras seções.
Aí começou aquela idéia de quebrar o galho. Um instante só, o suficiente para tirar de cima do caminhão, pelo menos, afinal era uma emergência.
Então, foi chamado todo o pessoal e avisado da manobra, ficando acertado que após sua realização, a ponte voltaria para aquele lugar onde estava, com a mesma altura do guincho e ficaria fora de operação.
A operação foi feita, com todo o cuidado e cumprido tudo conforme o combinado, ficando a ponte num canto, com o guincho um pouco baixo e com o botão desliga geral travado na posição desliga, o que se acreditou ser inteiramente suficiente, uma vez que todo mundo sabia que não deveria ligar. Até aí nada de anormal aconteceu.
Mas, não contavam com um imprevisto. Havia um funcionário ausente durante a reunião interna onde se definiu o procedimento citado acima. Ele fora a uma consulta médica e retornou bem depois. Para complicar um pouco mais ele era um dos autorizados a acionar a ponte e o responsável pelo equipamento.
Quando retornou e viu o guincho mais baixo do que o normalmente adotado, energizou, destravando o botão e acionando o botão liga. A seguir acionou a elevação, esperando cortar no limite, como sempre era feito.
Como estava sem ele, o comprimento do cabo de aço acabou o sistema do guincho bateu lá em cima, repuxou o cabo de aço, que se desprendeu do grampo que o segurava. Aí o moitão veio abaixo, caindo sobre a tampa de um equipamento, que por sorte era de chapa de aço de boa espessura e por isso não houve grandes estragos com o equipamento nem com nenhum funcionário. Só aquele barulho enorme e o terrível susto.
Apesar disso, a coisa rendeu. Algumas pessoas ali eram ligadas ao sindicato da classe e não deixaram por menos. Fizeram o maior escarcéu, usaram o canal direto que tinham com a cúpula da empresa e foram direto “lá em cima”. Foi complicado resolver aquela situação.
Depois, quando nos reunimos com a seção de segurança do trabalho para analisar aquele “acidente sem vítima”, repassamos o fato, sua origem, suas causas e as falhas cometidas. Um dos procedimentos que não foi feito e que poderia ter evitado a ocorrência seria efetuar o desligamento da alimentação no quadro geral e colocar um cartão bloqueando a sua liberação para energizar e colocando um aviso no cartão explicando o motivo do desligamento.
Mas uma coisa ficou patente: EM SEGURANÇA NÃO SE QUEBRA O GALHO.
Roberto Vasco ( robertovasco@hotmail.com )