Desarmes na partida após manutenção
Essa foi a informação recebida por ocasião de uma chamada para serviços de assistência técnica.
O equipamento era um ventilador, cujo motor de acionamento era ligado por um Soft Starter 355 A em 440 volts.
Segundo a informação obtida conversando com o preposto do cliente no local,o
ventilador rodava sem nenhum problema até o dia em que parou para a manutenção. Depois disso, desarmava antes de concluir a rampa de aceleração.
Para complicar mais a situação, já estava atrasado o reinício de operação e não havia muito tempo a perder.
A corrente simplesmente subia muito durante a partida e a proteção por esta causa operava.
Então tentamos de várias formas otimizar sua curva de partida sem sucesso.
Antes de qualquer coisa, teríamos que descobrir porque antes funcionava e depois da manutenção geral não conseguia nem partir. Isso conduz imediatamente à idéia de que algo durante o processo de manutenção foi alterado de modo significativo a ponto de aumentar a corrente de partida.
Conversando com o cliente verificamos que o equipamento sofreu pequena alteração no angulo das aletas, pouco mais de 10%, mas que pelos seus cálculos ele ainda teria mais 20% de margem.
Na realidade ele pretendia incrementar sua produção sem repotenciar a máquina.
Imediatamente compreendemos que o momento de inércia fora alterado significativamente ou pelo menos o suficiente para inviabilizar a partida com aquele soft Starter, que fora especificado já no final da margem de sua classe, visando uma determinada carga.
Substituir o soft starter seria inviável, pelo menos naquele momento.
A saída encontrada foi desativar a proteção de sobrecorrente durante a partida, deixando ativa apenas a proteção de sobrecorrente para depois da rampa concluída e durante todo o seu funcionamento.
Aliás, esse é um tipo de funcionamento característico de máquinas centrífugas acionadas por soft starters, como as usadas em usinas açucareiras.
Comentários:
É importante colocar aqui, que existe a grandeza chamada Inércia à rotação ou momento de inércia, que alem de depender da massa do corpo, depende também de como essa massa está distribuída ao longo do eixo de rotação. Isso quer dizer que um mesmo corpo, sem alterar sua massa, muda seu momento de inércia se for mudada a distribuição de massa ao longo do eixo de rotação.
No presente caso foi exatamente o que aconteceu, isto é, a massa do rotor permaneceu a mesma, mas a abertura das aletas ainda que pretensamente pequena alterou a posição das massas em relação ao eixo o suficiente para alterar de modo significativo a solicitação de corrente, sem falar no deslocamento de maior quantidade do fluido (ar) que também aumentou a corrente quadraticamente com a velocidade.
Outra coisa interessante a ser comentada é com relação aos cálculos e em quais circunstâncias os dados para esse foram colhidos.
Alem disso nunca é demais lembrar que as relações envolvidas não são lineares, tanto para os momentos de inércia quanto para a energia cinética de rotação, conforme indicam as formulas seguintes:

Portanto cuidado ao aplicar as famosas regras de três simples sem analisar bem o que se pretende.
Outra coisa a considerar é que os dados para cálculos quando se pretende repotenciar devem ser os colhidos durante cada momento da partida, e também depois de funcionando normal, razão pela qual deve ser registrada uma curva de partida e de regime de funcionamento.
Alerta: Uma coisa que vale a pena ficar de sobreaviso é quanto à possibilidade do cliente ou seu preposto sonegar a informação, impedindo ou ficando mais difícil de se resolver o problema. Isso às vezes acontece quando a ação praticada é ilícita e invalida a garantia. No presente caso o cliente foi honesto e abriu o jogo, ajudando muito a gente a definir o problema e resolve-lo.
Roberto Vasco ( robertovasco@hotmail.com )