Avaria em disjuntor e chamuscamento do barramento
Recebemos um chamado para um atendimento de emergência na subestação de uma empresa num bairro vizinho.
Conversando com o preposto do cliente, este informou que houve uma explosão dentro do cubículo onde estava alojado o disjuntor que ligava um equipamento, cujo motor funcionava em 3800 volts, causando o desarme do alimentador da subestação.
Retiramos o disjuntor para fazer a inspeção nele e no interior do cubículo.
Imediatamente constatamos a gravidade das avarias e a impossibilidade de recuperação imediata deste, sendo necessário arranjar um reserva, o que foi conseguido. Mas esse também não poderia ser usado de imediato pois o cubículo também sofreu avarias em várias partes coma contatos fixos, isoladores e barramento desse cubículo e dos adjacentes.
Os contatos fixos tiveram parte de sua estrutura derretida e por isso tiveram que ser substituídos por outros reservas, retirado de um painel por enquanto vazio.
Precisávamos definir uma causa, então começamos analisando as informações:
A ocorrência sugeria que houve desquadramento no disjuntor ao inseri-lo, conforme se constatou olhando na parte traseira antes da retirada do disjuntor avariado e depois de colocado o outro reserva várias vezes no lugar para testar essa condição. Isso fazia com que fosse necessário um esforço muito maior para tentar encaixar as tulipas (contatos móveis) nos contatos fixos. À medida que esse desquadramento piorava e se insistia fazendo mais força a situação ia se complicando ainda mais, o que culminou com o dano das tulipas e impedindo os contatos de serem perfeitamente inseridos ocasionando um mau contato. Ao ser dado partida no equipamento com carga nessas condições, causou o centelhamento, ionizando o ar no interior do cubículo e provocando arco elétrico em vários pontos.
Alem disso, conforme também foi constatado, um micro switch avariado, também pelo mau funcionamento do sistema de guias e encaixe, permitiu ligar o comando de fechamento do disjuntor.
Para possibilitar o funcionamento, os seguintes serviços tiveram que ser executados:
1- Limpeza e descarbonização nas partes afetados.
2- Substituição do módulo completo com os 6 contatos fixos,
3- Recuperação e reinstalação do micro switch,
4- Ensaio da resistência de isolamento para a massa e entre fases, conforme as medidas apresentadas:
Contatos inferiores no painel + TCs para a massa = 5000 M
Contatos superiores no painel + TPs para a massa 20 M
Cabos do motor para a massa = 5000 M
Barramento + TPs, com fusíveis retirados, RS,ST,RT = 400 M
5- Regulagem dos contatos fixos para possibilitar melhor encaixa nos móveis.
Alem disso foi registrado a seguinte recomendação:
Ao recuperar o disjuntor avariado não deverá ser esquecido de revisar todas as peças envolvidas na inserção: rodas, travas, guias.
Para uma agenda futura deverá ser pesquisado uma maneira de se inserir o disjuntor de forma um pouco mais suave que permita perceber se alguma coisa está travando, quando então se retrocederia, tentaria melhor enquadrá-lo e repetir a operação de inserção. Talvez para isso seja necessário revisar todo o sistema de guias da parte fixa atendo-se a possíveis desgastes e a substituição de peças se necessário.
Bem, finalmente cumprimos o nosso papel e colocamos o sistema para rodar num tempo mínimo possível.
Se atenderam as recomendações posteriormente, é outra historia.
Roberto Vasco ( robertovasco@hotmail.com )