Perda total em inversor por baixo isolamento

Casos como o citado no título não são raros.

Os inversores de freqüência geralmente são equipamentos para funcionar em local abrigado, grau de proteção IP20. Assim, devem ser instalados dentro de armários ou painéis de aço, preferencialmente. Mas muitas instalações de pequeno porte com pouca estrutura e mal projetadas acabam utilizando afixados em alguma parede do próprio recinto onde a máquina a ser por ele acionada está. Claro que nesses casos, fica muito difícil seguir as recomendações técnicas que o fabricante faz, a respeito do ambiente, o que nunca é levado a sério como deve, pois muitos acham até que é exagero e não imaginam que possa acontecer o pior.

Ainda considerando deficiências de projeto, podemos verificar que a questão das proteções nem sempre são seguidas fielmente todas as recomendações, por motivos diversos. Por outro lado, sabe-se que não existe nada 100% seguro e que segurança redunda em custos a cada vez que se tenta cercar mais alguma possibilidade de acontecimentos negativos o projeto vai ficando mais caro, de sorte que o projetista acaba assumindo alguns riscos e baseado em estatísticas, cerca as coisas mais gritantes.

Também vemos abundantemente instalações com projetos deficientes e até mesmo sem projeto nenhum e até instalações sem fiscalização e executadas por pessoal não qualificado.

Diante de um quadro desses é fácil imaginar a quantidade de problemas que aparecem devido a essas causas. Freqüentemente são avarias graves e não raramente geram perda total.

Muitos pensam: como isso pode acontecer, se os equipamentos como esses são super protegidos, a ponto de desarmarem instantaneamente sem danificar nada em caso de curto circuito franco entre fases ou para a massa, feitos propositadamente em sua saída quando se testa essas condições.

Pois é, muitos são os casos percebidos durante os serviços de reparos, quando se procura também identificar as causas.

Vou ater-me aqui a alguns casos de avarias por baixo isolamento, com perda total ou pelo menos que tenha sido necessário substituir o cartão de potência que custa em média 50 ou 60% do preço de um novo.

Em um desses casos, examinando a parte interna do equipamento percebia-se que o mesmo fora abundantemente molhado com água suja, provavelmente acidentalmente, por estouro ou desconexão de alguma mangueira ou tubulação. Como não conseguiram secar convenientemente por dentro ou talvez nem perceberam, essa umidade condensou sobre a superfície do cartão e os terminais de interligação dos componentes e associadas à poeira que sempre acumula, conduziu a corrente elétrica durante um tempo suficiente para provocar danos à estrutura do cartão, curtocircuitar trilhas e até carbonizar a região, às vezes perfurando-a em grandes extensões.

Como as correntes envolvidas por esse tipo de avaria, no início são de valores mais baixos, as proteções, quando existem às vezes não atuam, de modo que o dano vai avançando e quando a corrente atinge o valor suficiente para atuar a proteção geralmente é tarde demais.

Algumas vezes, quando a água está contaminada com sal, cal ou outras substâncias químicas que formem soluções condutoras bem concentradas, pode ocorrer curto circuito imediato e se as proteções estiverem bem dimensionadas, o circuito desliga, protegendo. Mesmo assim pela insistência e burla das proteções, pode estragar algo.

Quando as proteções não funcionam por estarem, por exemplo super dimensionadas, e a corrente de curto circuito circula por um tempo relativamente logo, costuma queimar algum componente, abrir um arco internamente, ionizar o ar que também se torna condutor, e piora ainda mais a situação, culminando com o derretimento de condutores e componentes e carbonização generalizada, o que redunda em perda total.

Os ventiladores responsáveis pelo resfriamento do módulo de potência, contribuem sobremaneira para disseminar impurezas internamente, razão porque, em casos de ambientes poluído ser necessário instalar dento de painéis com ventilação forçada e filtros removíveis que permitam limpeza freqüente.

Em certos casos é necessária a exaustão do ambiente e inserção de ar limpo, o que nem sempre é feito convenientemente, até mesmo talvez pelo custo elevado.

Alguns casos abaixo já foram detectados e comprovados e por não terem seguidas as recomendações que fizemos, alguns casos foram recorrentes:

- Molhadas acidentais com água suja,

- Ambientes super úmidos e com precipitação de poeira,

- Ambientes com alta concentração de gordura no ar, mais poeira,

- Ambientes cujos vapores do processo industrial impregnam tudo,

- Ambientes com vapores de substancias corrosivas,

- Ambientes com alta concentração de pó condutor como grafite e outros,

- Ambientes sujeitos a maresia.

Roberto Vasco ( robertovasco@hotmail.com )

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