Você tem certeza que desligou o disjuntor ?

Essa história não fala de nenhum defeito ou ocorrência negativa séria, mas serve de alerta e principalmente para termos sempre a mão evidências objetivas do que afirmamos, principalmente a respeito de segurança.

Um dia recebi um chamado para efetuar um desligamento de um equipamento para que equipes de manutenção trabalhassem dentro dele.

Era um ventilador de recuperação de ar quente aproveitado para o processo de secagem descendente.

Os ventiladores industriais geralmente são enormes e cabem muitas pessoas dentro.
Havia bastante serviço a ser executado no rotor, aletas, tubulão e adjacências.

Na subestação, foi feito todo aquele ritual de segurança: conferidos e preenchidos os cartões, sacado o disjuntor, afastando do barramento e desligado o seu comando, colocando o cartão correspondente na porta e devolvendo o canhoto assinado para o solicitante.

Depois disso, fui ao local onde estava o equipamento ver se precisavam de mais alguma coisa ou apoio.
Não precisavam, pois já vieram munidos de todo ferramental necessário, inclusive de luminárias e extensões para trazer a alimentação elétrica até ali, para alimentar os equipamentos portáteis e as lâmpadas.

No momento que o pessoal começou a entrar o encarregado do serviço, responsável pela equipe me viu no local e perguntou: Você desligou tudo mesmo. Desliguei sim, respondi. E o pessoal continuou a entrar.

Quando passou o último homem pela escotilha, lá vem o cara de novo e pergunta com mais veemência ainda: mas você ter certeza que desligou o disjuntor: Absoluta respondi. Mas diante daquela preocupação e insistência, resolvi voltar na subestação e conferir para ver se não havia algo errado, apesar de eu ter certeza que estava tudo bem. Antes que eu desse um passo, passou um avião muito baixo fazendo um barulhão terrível, que nunca ninguém observara igual antes, talvez por estar tudo funcionando e mascarando o ruído.

Nesse momento o cara ficou pálido e o pessoal começou a sair rápido de dentro, muito assustado, até comprovar que o barulho era externo principalmente pelo aumento e decaimento do som até ficar inaudível.
Por um momento, também senti certo desconforto e o sangue gelar nas veias. Felizmente era um “jatão” que passou baixo. Graças a Deus não era o equipamento entrando em funcionamento, pois se fosse, não daria tempo de ninguém correr e seria uma tragédia.

É por isso que em muitos casos como esses alguns equipamentos possuem em seu sistema de operações de ligar e desligar uma trava com fechadura e chaves identificadas que só podem ser liberadas quando a ultima equipe de manutenção tiver saído de lá e liberado para energizar.

Roberto Vasco ( robertovasco@hotmail.com )

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