Freio do Giro não funciona
Elétrica, o freio do giro da máquina não funciona, disse informando a sigla de identificação da mesma. Esse foi mais um comunicado do operador da sala de controle, retransmitindo a mensagem do operador da máquina.
Essa era usada no pátio de estocagem de matéria prima a ser processada.
Essa era uma grande máquina sobre rodas de aço que se deslocava para frente e para traz em linha reta sobre trilhos também de aço. Era atravessada longitudinalmente por uma correia externa que alimentava outra interna, montada sobre uma lança que dispunha de movimento de elevação, que deslocava a ponta da lança para cima a medida que a pilha do material aumentava sua altura e também de movimento giratório que permitia que as pilhas de material se formassem em posições diferentes, lado a lado, em cada pátio, de modo que ao final do empilhamento parecesse uma única grande pilha. Por questão de simplicidade vou omitir a descrição das outras partes e me concentrar na parte do caso em questão.
O sistema de giro da parte superior da máquina era acionado por dois motores de 12,5 CV em 440 Volts, tipo com flange e montagem V1(fixação pelo flange e eixo virado para baixo), situados um de cala lado. O sistema possuía um dispositivo de freio do tipo eletromagnético, que era afixado entre os motores e as redutoras, formando um acoplamento magnético que era liberado quando a bobina recebia tensão 24VCC e criava um campo magnético contrário ao da peça que na verdade era um imã, com a forma exigida pelo mecanismo.
Quando o comando de giro era desligado, a tensão era reduzida pra metade antes de efetivamente ser desligada, por um breve tempo, para evitar freadas bruscas que comprometessem a segurança da máquina.
Esse dispositivo de freio era composto de duas partes: Uma bobina, alojada dentro de uma estrutura mecânica de aço de forma toroidal, recoberta de uma camada relativamente espessa de lona de freio. A esse conjunto era sobreposta a outra parte da mesma forma, de modo que sem tensão aplicada a bobina, atraía a estrutura de aço dela impedindo o movimento e quando a bobina era energizada, o sistema rodava livre.
Quando a tensão da bobina era a metade o sistema roçava provocando certo esforço de frenagem.
No dia da ocorrência em questão, a máquina estivera em manutenção, inclusive nessa parte, cuja redutora foi substituída, conforme se constatou consultando o livro de relatório.
Quando recebeu o chamado, o eletricista rapidamente foi até a máquina e iniciou os teste para ver como o sistema se comportava. Observou que as tensões apareciam nos momentos corretos , seguindo o comando.
Os movimentos estavam normais, comprovando-se que os motores também estavam. Mas o giro continuava por um tempo relativamente longo, parando pela inércia.
Aí ele se lembrou que o funcionamento do freio era feito com o desligamento da bobina. Isso significava que poderia haver algum problema na peça magnética. Aí não sobrava outra alternativa a não ser desmontar todo o sistema de acionamento e retirar para verificação ou substituição. Quando finalmente desmontaram, verificou que a parte interna onde era imantada estava toda estilhaçada e os pedaços reunidos e colados com resina epóxi.
Aí então ele disse ao mecânico: vocês quebraram a peça magnética, por isso não funciona. Então o mecânico respondeu: Mas eu colei direitinho, pode ver.
O que o mecânico não sabia era que um imã quebrado e depois colado perde a força, pois a soma dos campos magnéticos dos pedaços é quase zero, principalmente devido aos entreferros criados e a presença de imãs adjacentes de polaridades iguais. Na verdade não são mais pedaços, mas novos imãs.
A saída, é claro, foi requisitar outra nova no almoxarifado e substituir o mais rápido possível pois a produção há muito já estava comprometida.
Vale registrar aqui que o mecânico não quebrou por falta de cuidados, mas porque o sistema estava há muito tempo instalado e travado por efeito da oxidação e raramente alguém conseguia desmontar sem quebrar, pelo menos no início quando o material era importado e durava mais. Depois que começou a aparecer os nacionais, devido as dificuldades de importação durante um longo período, não quebrava mais porque ficavam pouco tempo instalados, devido aos defeitos que apareciam, como má qualidade das lonas de freio, que desgastavam rápido demais e danificavam as bobinas. A indústria nacional custou a ajustar-se às exigências industriais.
Abaixo a figura do sistema de bobina e imã:
