Fator de Demanda

Continuando nossa abordagem sobre utilização racional de energia, vejamos outro assunto bem importante como o Fator de demanda , cuja observância permite que se posicione conforme a legislação em vigor e se otimize a utilização de energia, o que culmina com a economia de dinheiro.

“Demanda é o consumo de energia da sua instalação dividido pelo tempo em que o mesmo foi registrado.

Para faturamento de energia pela concessionária, se utilizam intervalos de integração de 15 minutos. Assim, a sua demanda de energia (medida em kW), é igual ao consumo a cada 15 minutos (medido em kWh) dividido por 0,25 (15 minutos é igual a 0,25 da hora). Em um mês, ocorrem quase 3000 desses intervalos. Assim, a sua demanda será medida quase 3000 vezes ao longo do mês.

A concessionária de energia elétrica escolherá o valor mais alto, ainda que tenha ocorrido apenas uma única vez”.

A cobrança é sempre em função da demanda contratada e o consumo. Quando se contrata uma demanda, na verdade se está solicitando que a empresa fornecedora disponibilize uma determinada quantidade de energia para ser consumida. Como existem períodos do dia onde o consumo é maior e outros menor, nos períodos de maior consumo a energia fica mais cara. Há basicamente três tipos de tarifação: Convenciona, horo-sazonal azul e horo-sazonal verde. Se sua empresa estiver enquadrada na tarifa horo-sazonal azul, terá uma demanda registrada para o horário fora de ponta, e outra demanda registrada para o horário de ponta. Estes valores, quando elevados, podem ocasionar pesados acréscimos à sua fatura de energia.

Alem disso devemos lembrar que a maior parte da energia gerada vem de hidrelétricas. Assim, nos períodos úmidos, quando ocorrem mais chuvas, meses de dezembro, janeiro fevereiro março e abril a energia fica mais barata que nos períodos secos, quando ocorrem a escassez de chuva, meses de junho a novembro.

Assim, para o faturamento do consumo, acumula-se o total de kWh consumidos em cada período: fora de ponta seca ou fora de ponta úmida, e ponta seca ou ponta úmida. Para cada um destes períodos, aplica-se uma tarifa de consumo diferenciada, e o total é a parcela de faturamento de consumo.

Alem disso devemos lembrar que a energia elétrica é cobrada segundo o enquadramento tarifário, podendo os consumidores estarem nos grupos A ou B.

Grupo A: Engloba os consumidores que recebem energia em tensões acima de 220V. Possui três tipos de tarifação: convencional, horo-sazonal azul e horo-sazonal verde. Nesta categoria, os consumidores pagam pelo consumo, pela demanda e por baixo fator de potência.

Grupo B: Engloba os demais consumidores, divididos em três tipos de tarifação: residencial, comercial e rural. Neste grupo, os consumidores pagam apenas pelo consumo medido.

A maioria das pequenas e médias empresas (industriais ou comerciais) brasileiras se encaixa no Grupo A, onde são cobrados pelo consumo, pela demanda e por baixo fator de potência. Estes consumidores podem ser enquadrados na tarifação convencional, ou na tarifação horo-sazonal (azul ou verde).

Os custos por kWh são mais baixos nas tarifas horo-sazonais, mas as multas por ultrapassagem são mais pesadas. Assim, para a escolha do melhor enquadramento tarifário (quando facultado ao cliente) é necessária uma avaliação específica.

Tarifação:

Na tarifação convencional, o consumidor paga à concessionária até três parcelas: consumo, demanda e ajuste de fator de potência. O faturamento do consumo é igual ao de nossas casas, sem a divisão do dia em horário de ponta e fora de ponta. Acumula-se o total de kWh consumidos, e aplica-se uma tarifa de consumo para chegar-se à parcela de faturamento de consumo.

Na tarifação horo-sazonal (azul ou verde), os dias são divididos em períodos fora de ponta e de ponta, para faturamento de demanda, e em horário capacitivo e o restante, para faturamento de fator de potência. Além disto, o ano é dividido em um período seco e outro período úmido.

Assim, para o faturamento do consumo, acumula-se o total de kWh consumidos em cada período: fora de ponta seca ou fora de ponta úmida, e ponta seca ou ponta úmida. Para cada um destes períodos, aplica-se uma tarifa de consumo diferenciada, e o total é a parcela de faturamento de consumo. Evidentemente, as tarifas de consumo nos períodos secos são mais caras que nos períodos úmidos, e no horário de ponta é mais cara que no horário fora de ponta, conforme já foi dito.

Na tarifação horo-sazonal azul, o faturamento da parcela de demanda será igualmente composto por parcelas relativas à cada período: fora de ponta seca ou fora de ponta úmida, e ponta seca ou ponta úmida. Para cada período, o cálculo será o seguinte:

Caso 1 – Demanda registrada inferior à demanda contratada. Aplica-se a tarifa de demanda correspondente à demanda contratada.

Caso 2 – Demanda registrada superior à demanda contratada, mas dentro da tolerância de ultrapassagem**. Aplica-se a tarifa de demanda correspondente à demanda registrada.

Caso 3 – Demanda registrada superior à demanda contratada e acima da tolerância**. Aplica-se a tarifa de demanda correspondente à demanda contratada, e soma-se a isso a aplicação da tarifa de ultrapassagem correspondente à diferença entre a demanda registrada e a demanda contratada. Ou seja: paga-se tarifa normal pelo contratado, e tarifa de ultrapassagem sobre todo o excedente.

Na tarifa verde, o consumidor contrata apenas dois valores de demanda, um para o período úmido e outro para o período seco. Não existe contrato diferenciado de demanda no horário de ponta, como na tarifa azul. Assim, o faturamento da parcela de demanda será composto uma por parcela apenas, relativa ao período seco ou ao período úmido, usando o mesmo critério acima.

Para o cálculo da parcela de ajuste de fator de potência, o dia é dividido em três partes: horário capacitivo, horário de ponta, e o restante. Se o fator de potência do consumidor, registrado de hora em hora ao longo do mês, estiver fora dos limites estipulados pela legislação, haverá cobrança por baixo fator de potência. Se o fator de potência do consumidor estiver dentro dos limites pré-estabelecidos, esta parcela não é cobrada.

**Observações: A tolerância de ultrapassagem, dada aos consumidores das tarifas horo-sazonais para fins de faturamento de demanda, é de:

- 5% para os consumidores atendidos em tensão igual ou superior a 69 kV.

- 10% para os consumidores atendidos em tensão inferior a 69 kV (a grande maioria).

Pelo exposto acima fica fácil entender como se pode perder muito dinheiro pelo mau uso da energia elétrica.

Evidentemente que as empresas tem características próprias, com problemas inerentes as suas condições operacionais e mediante estudos, adotam as soluções mais viáveis. Algumas preferem utilizar geradores próprios nos horários de ponta, outras investem em sistemas de controle de demanda e de fator de potencia automatizados. Nessa filosofia, elegem as cargas prioritárias para o horário de ponta e as excedentes são desligadas automaticamente ou pelo operador conforme sinalização de aviso do sistema. Quanto ao fator de potência o sistema insere ou retira capacitores comandados pelo valor do mesmo.

Exemplo de faturamento da demanda:

A demanda faturada será o maior valor entre as demandas registradas (demanda faturável) e a demanda contratada.

Exemplo 1: Considerando
- Demanda Contratada Ponta – 23.000 kW
- Demanda Registrada Ponta – 22.846 kW (- 0,6 %)
Teremos:
- Demanda Faturada de Ponta – 23.000 kW

Exemplo 2:

Considerando
- Demanda Contratada Fora de Ponta – 23.000 kW
- Demanda Registrada F. Ponta Indut – 24.350 kW (+5,9 % – acima da tolerância de 5%)
- Demanda Registrada F. Ponta Capac – 23.486 kW (+2,1%)
Teremos:
- Demanda Faturada de Ponta – 23.000 kW
- Demanda Faturada Fora de Ponta – 23.000 kW (contratada)
- Ultrapassagem Demanda Fora de Ponta – 1.350 kW (registrada- contratada)

Exemplo 3:

Considerando
- Demanda Contratada Ponta – 23.000 kW
- Demanda Registrada Ponta – 23.846 kW (+ 3,7 % abaixo da tolerância 5%)
Teremos:
- Demanda Faturada de Ponta – 23.846 kW (registrada)

Fontes:

http://www.engecomp.com.br/ajuda.htm

http://www.eletropaulo.com.br/portal/page

Roberto Vasco, 20/06/2007