Desperdícios

Continuando os temas sobre a utilização racional de energia elétrica, vamos falar agora sobre desperdícios, suas causas e possíveis soluções.

Algumas idéias são falsas. Por exemplo:

- Deixar motores funcionando em vazio a pretexto de não ter que dar nova partida aumentando consumo e demanda. Isso não é verdade na maioria das vezes, pois geralmente uma partida dura cerca de 10 segundos e não causaria esse tipo de problema.

Outra coisa importante de se evitar é :

- Não respeitar a capacidade térmica do motor. Um motor sub-dimensionado ou com sobrecarga apresenta aquecimento, que em ultima análise é uma perda de energia em forma de calor.

- Utilizar motores de baixo rendimento devido a sua qualidade de fabricação ou devido a outros problemas como repetidas queimas, degradação magnética do ferro e rebobinamentos. Hoje, sob estímulo da política mundial de economia de energia os fabricantes tem desenvolvido motores de alto rendimento, utilizando materiais de melhores característica de isolamento, ferro com melhores qualidades magnéticas e vários outros quesitos.

- Falhas de instalação e manutenção, propiciando o aparecimento e não descoberta de baixos isolamentos que provocam circulação indevida de corrente e aquecimentos, que representam um consumo desnecessário de energia.

- Não melhorar o fator de potência da instalação e com isso deixar que ocorram perdas. Como já foi comentado em outro artigo, as causas de um baixo fator de potência são:a) Motores e transformadores superdimensionados, b) Grande quantidade de motores de pequena potências, c) Utilização de muitas máquinas de solda, d) Utilização de muitas lâmpadas vapor de sódio, de Mercúrio e fluorescentes, sem usar reatores de alto fator de potência.

- Muitas lâmpadas acesas sem necessidade,

- Utilização de lâmpadas incandescentes, de baixa luminosidade e alta perda em calor,

- Reflexo do desperdício de água no desperdício de eletricidade por causa dos motores usados no bombeamento.

- Baixo rendimento de Bombas. Os rendimentos típicos de bombas são: a) Bombas de pistão: de 0,75 a 0,85, b) Bombas centrífugas: de 0,45 a 0,55. Aí vale lembrar que existe toma uma técnica com respeito a bombas e sua utilização. Quando um bombeamento é função de um consumo, denotado pela pressão da rede, chega-se a um ponto em que o motor fica rodando sem produzir o trabalho total que é capaz para atender a essa condição operacional. Hoje se utilizam controle de velocidade dos motores para que só rodem na velocidade necessária e desliguem quando a condição de consumo ou de operacionalidade da bomba não seja mais satisfatória.

- Baixo rendimento de ventiladores. Os rendimentos típicos de ventiladores em função da pressão são: a) 0,5 a 0,8 para a pressão maior que 400mmHg, b) 0,35 a 0,5 para a pressão entre 100 e 400 mmHg, c) 0,2 a 0,35 para a pressão menor que 100 mmHg.

- Motores e máquinas não instalados corretamente quanto a Paralelismo, alinhamento, tensão da correia de transmissão e diâmetro mínimo das polias, que causam perdas de energia. Só para se ter uma idéia das perdas por cada tipo de instalação, vejamos o resultado da pesquisa abaixo, feita pela CEMIG:

Acoplamento direto           32,3% ou 45,7% em termos de Potência

Polia e correia                   56,5% ou 46,5 em termos de Potência

Engrenagens                      7,1% ou 5,1% em termos de Potência

Outros motivos                  4,1% ou 2,7 % em termos de Potência

- Superdimensionamentos e sobrecargas, conforme mencionado no início do texto, também deve se evitado. Também para se ter uma idéia das perdas, veja a pesquisa a seguir, também da CEMIG: De 3425 motores analisados, numa potência total de 78850 Cv:

28,7 % estavam superdimensionados e

5,9 % estavam com sobrecarga.

Para dar uma idéia mais clara sobre desperdício por sobre-dimensionamento vejamos o exempla abaixo:

Se em seu equipamento uma potência de 25 CV é suficiente para que opere com segurança e sem desperdícios por sobrecarga, não há razão para que use um motor maior, pois isso acarretará perdas, conforme estudo comparativo a seguir:

Pc = Pó x 0,736 x 100 /

Para o caso de 25 CV: 25 x 0,736 x 100 /78 è Pc = 23,6 KW,

Para o caso de 100 CV: 25 x 0,736 x 100 / 89 è Pc = 20,7 KW

Energia desperdiçada: E = (23,6-20,7) x 24 x 30 x 12

E = 25.056 KWh (ano)

Multiplicando-se pelo valor em reais do KWh teremos o valor da conta em dinheiro.

Conforme se vê no exemplo acima, Os mesmos 25 CV usando um motor de 25CV ou de 100 CV, da uma boa diferença, em função do rendimento h(%), diferente para cada tipo de motor e classe de potência.

* Os valores de h(%), utilizados no cálculo foram baseados na tabela de motores WEG.

Escrito por : João Roberto Vasco Gonçalves

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